Moda feminina toma a SP Fashion Week

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Publicado terça-feira, 29 de janeiro de 2002 as 11:47, por: cdb

O dia começou cedo na São Paulo Fashion Week, pelo menos para os padrões do mundo da moda. Márcia Gimenez, da Equilíbrio, abriu os trabalhos às 11h com o primeiro dos desfiles de prêt-à-porter feminino da temporada. Em tempos de valorização do vintage, que nada mais são do que peças antigas em bom estado por conta da alta qualidade, a Equilíbrio tratou de apostar em si mesma.

O inverno 2002 da marca traz um passeio por seu acervo de 20 anos, destacando o romantismo que sempre marcou sua história. A silhueta é justa, seca, sofisticada. Para dar corpo e movimento a suas idéias, Márcia usou microfibra com elastano e também o Amni Skin (poliamida com elastano), traduzido em gabardines, veludos, georgetes, couros e cetim de seda. Nas cores, preto, vermelho e o azul real se destacam. No styling, a grife aposta na visão de Ciro Midena.

Glória Coelho mostrou suas propostas para a G. Depois dela foi a vez de Carlos Miele trazer novamente à passarela da São Paulo Fashion Week suas referências da cultura afro-indígena, que vêm marcando os desfiles da M.Officer.

Fica o suspense de ver se, agora, o tema encontrará ressonância na coleção, coisa que não tem acontecido. Os temas de Miele têm servido mais às performances que realiza do que para nortear suas criações. Mas lá estará ele, com seu baticumbum embalando mais um inverno de técnicas artesanais, com destaque para os trabalhos de patchworks e nozinhos.

O mineiro Renato Loureiro entrou na passarela com uma coleção mais sóbria, com tons escuros e variações do preto. A silhueta é ampla, como em capas e calças, mas o volume promete definir o corpo, numa evolução do romantismo sedutor apresentado na estação passada.

A equipe de Renato Kherlakian teve como tema as caçadas dos senhores feudais da Escócia para alinhavar a coleção de inverno da Zoomp. A inspiração surge na alfaiataria requintada, com texturas inspiradas na pele de cavalos e cães e na pluma das aves. Nos materiais, tecidos que vão da seda ao couro, passando por tricôs que mesclam fibras naturais e sintéticas. A última grife a subir na passarela nesta terça-feira foi a Ellus, que mostrou sua proposta para a estação com uma coleção cujo protagonista é o jeans. Fernanda Lima estava na primeira fila já vestida com as novidades da grife: blusa de musselina preta com bordado de borboleta, jeans justos e botas amarradas tipo perneiras. Nelson Alvarenga buscou inspiração para sua coleção na Fundação UFF (Universidade Federal Fluminense) que lançou o projeto “Rio Com Gentileza” recuperando o trabalho do artista artesão Gentileza.

Na passarela folhas verdes e imensos lustres pendetes com flores vermelhas feitas de papel.Luzes verdes iluminavam a coleção que se desdobrou em variantes do jeans. São macacões largos, calças tipo masculinas, cigarretes, manteaus, jaquetinhas e até mesmo botas – tudo em índigo. Ele aparece nas versões destroyer com destaque especialmente para a barra das calças ora desfiadas, picotadas, esgarçadas e surradas.

Para fazer o contraponto há bordados preciosos na perna das calças ou blusas em musselina com imensas borboletas no centro. A cintura é marcada por cintos de onde pendem pedaços de tecido, paetês e correntes. Nos pés a bota ganha importância: ela se parece a uma perneira e compõe os visuais mais minis. Há bons ponchos em tricot desfiado e uma série de túnicas estampadas. Em florais enormes ou com a bandeira do Brasil estilizada os desenhos são uma homenagem ao trabalho de Gentileza. Esta é a parte mais sexy do desfile com muita transparência e decotes generosos.

O couro, o veludo e a malha de metal também ganham a passarela porém com menor importância. As cores são restritas à lavagem do jeans ou a pretos, brancos e bordôs. Uma coleção com um pé no guarda-roupa masculino e toques de sensualidade.