Mobilizando Solidariedade

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Publicado sexta-feira, 23 de setembro de 2011 as 13:37, por: cdb

Aalegria e beleza,
Rezae luta,
Resistência
Epaciência,

Sãoalgumas das características que tem distinguido a comunidade Kaiowá Guarani deLaranjeira Nhanderu, nesses últimos quatro anos. Tempo de peregrinação desde asaída do confinamento, na Terra Indígena Panambi, município de Douradina, paraseu tekohá, à beira do rio Brilhante. De lá foram despejados para a beira daestrada. Há três meses voltaram para seu tekohá. Sobre suas cabeças estánovamente o tormento do despejo. “Só em pensar do despejo já fico desesperado.Isso dói muito”, disse a liderança Faride.

Sob as sombras das árvores, reconstruindo avida
http://www.youtube.com/watch?v=jnO_gdu19VU

Solquente. Só amainado pela gostosa sombra das árvores. Por coincidência no dia daárvore. Fato esse ressaltado na fala do representante do C PT na caravana dasolidariedade. “Há muito tempo não celebro um dia da árvore tão bonito. Possoafirmar que é o verdadeiro dia da árvore, junto aos povos da vida, defensoresda natureza, os Kaiowá Guarani”. A liderança Zezinho reforçou esse sentimentodizendo “Os grandes da agropecuária, do agronegócio não preservam a mata, osrios, os pássaros, o meio ambiente… Eles são destruidores das árvores. Eagora querem despejar nóis pra onde não tem árvores. Vamos vencer essa batalhajuntos”.

Apesar das ameaçasde despejo, a vida e a luta continuam. Até alguns filhotes de animais dafloresta, como porquinhos do mato, catetos, cutias, tatus, vão se incorporandoao círculo da vida ao redor dos barracos. Já vão surgindo as casinhas de sapé.E o mais importante é que já existe uma casa de reza construída. Essa lhes dá acerteza de que da li não serão mais retirados.

A marcha da resistência e solidariedade

Daregião de Campo Grande, de Dourados, de Rio Brilhante foram chegando os aliadosda causa para se encontrar com a comunidade de Laranjeira Nhanderu que veiopara a beira da estrada, para recepcioná-los. No local onde estiveram acampadospor um ano e meio agora nada mais restava. Os barracos e estruturas que aindasobravam, foram ontem removidos pelo DNIT. Talvez foi a tentativa de remover amemória da crueldade cometida contra essa comunidade indígena.

Porém, ao contráriodo que possam pensar, todas essas ameaças e ações vão reforçando a resistência,união e certeza de que daí não mais sairão. “Daqui não vamos sair de jeitonenhum” reforçaram as lideranças em vários momentos, das horas em que o grupode representantes dos movimentos sociais e aliados estiveram ali com eles. Sentiram-sefortalecidos em sua decisão e na luta por seus direitos, especialmente odireito de ficarem em seu tekohá. Não aceitam de forma nenhuma a remoção comodecidiu o juiz e quer o DNIT. O local para onde os querem levar é absolutamenteimprestável para o modo de viver Kaiowá Guarani. Descampado, cheio de formiga,sem água, terra enfraquecida…

Osrepresentantes da coordenação da Conferência dos Religiosos do Brasil CRB-MS,da CPT-Comissão Pastoral da Terra, do Conselho Indigenista Missionário-CIMI-MS,do Movimento dos Trabalhadores Rurais de Rio Brilhante, do Movimento dos SemTerra – MST, da Via Campesina, do Movimento de Mulheres, Conselho das MulheresGuarani, de Nhanderu e Nhandesi da terra indígena de Dourados, todos ficarammuito emocionados e satisfeitos por estarem com um povo de tão forte resistência.”Somos guerreiros natos e fortes, não nos entregamos aos poderes da morte”disse Suzi, sobrinha de Marçal de Souza. Odete fez uma fala inflamada eindignada, repetindo as palavras de D. Pedro Casaldáliga “Malditas as cercas eas leis contra o povo…”, onde existe cerca o povo passa fome.

Amais velinha do grupo com quase cem anos, já cega, não podendo mais andar,ficando apenas dentro do barraco, agora dentro do mato, assim expressou suaalegria ”Agora me sinto em paz, pois não escuto mais o barulho dos carros, só osom da mata”.

PovoGuarani Grande Povo
Dourados,22 de setembro de 2011