Missil dos EUA destrói satélite defeituoso na órbita da Terra

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Publicado quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008 as 09:36, por: cdb

Autoridades norte-americanas disseram ter acertado e destruído um satélite espião defeituoso com um míssil que orbitava 210 km quilômetros acima do Oceano Pacífico. Segundo o Pentágono, o satélite USA 193 perdeu controle pouco depois de seu lançamento, em 2006, e carregava combustível tóxico que poderia ser liberado em uma grande área, colocando em risco a vida de humanos.

Os militares não revelaram, porém, se atingiram o tanque de combustível abastecido com cerca de 450 kg de hidrazina, que poderia sobreviver intacto à reentrada na atmosfera. A China acusou os Estados Unidos de praticar uma política de dois pesos e duas medidas por ter criticado um teste semelhante feito pelos chineses no ano passado. Na época, um míssil balístico terra-ar de médio alcance atingiu um satélite meteorológico obsoleto, sublinhando o avanço do poderio militar chinês.

O governo chinês pediu esclarecimentos aos norte-americanos e disse estar preocupado com o impacto de uma ação dos Estados Unidos sobre a segurança de outros países e do espaço. A Rússia criticou a operação, que considerou um pretexto para os Estados Unidos testarem armas de defesa anti-satélite, em resposta à demonstração feita pela China no ano passado. O Ministério do Exterior russo argumentou que outros satélites já se chocaram contra a Terra no passado sem que isso significasse medidas extraordinárias. O armamento utilizado na operação faz parte do sistema de defesa anti-satélite americano.

O caráter ambicioso da operação da madrugada desta quinta-feira, descrevendo-a como tentar passar um míssil por uma agulha. Os militares tiveram uma janela de apenas dez segundos para atingir a sonda, a partir do navio de combate USS Lake Erie, estacionado na costa oeste do Havaí. O míssil SM-3 e o satélite viajavam a uma velocidade combinada de 35 mil km/h. Espera-se que mais da metade dos destroços caiam na Terra em até 15 horas após a colisão, com o restante tardando até 40 dias para voltar ao planeta.

– Quanto menor os destroços, mais chances eles terão de serem consumidos (na reentrada) – disse o especialista Richard Crowther, do instituto britânico de pesquisas Science and Technology Facilities Council (STFC).