Missão no Haiti é respaldada pela ONU, defende diplomata

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Publicado domingo, 27 de maio de 2007 as 13:28, por: cdb

A missão de paz no Haiti, cujo contingente militar é liderado atualmente pelo Brasil, tem legitimidade respaldada pelas Nações Unidas, defende a diplomata Maria Luiza Viotti. Ela já foi anunciada pelo Itamaraty como a nova representante do Brasil junto à ONU e deve assumir o cargo nas próximas semanas.

Viotti afirma que o Brasil tem um compromisso “de longo prazo” com o Haiti e que a tendência é o perfil da missão de paz seja modificado, conforme avance o processo de estabilização do país.

– É uma missão de paz, de estabilização que gradualmente tenderá a se transformar. A missão tem um componente miltar que é muito acentuado atualmente, mas, na medida que o país se estabilize, esse componente militar poderá ceder espaço a um componente civil, que já está atuando no Haiti através das agências da ONU.

– Enquanto o governo haitiano e as Nações Unidas considerarem importante nossa participação, nós pretendemos dar o nosso concurso para a estabilização, a consolidação democrática e o desenvolvimento do Haiti. A missão no Haiti se diferencia de outras intervenções que não têm respaldo internacional. A legitimidade é conferida pela ONU, por meio do mandato do Conselho de Segurança.

Segundo a diplomata, o próprio presidente haitiano, René Préval, tem reiterado a solicitação de que a Minustah continue atuando no país.

– Ele tem manifestado a importância que o Haiti atribui à participação da Minustah e tem solicitado a continuidade dessa presença. Ele tem feito também a mesma soliticitação ao Brasil. Nos vários encontros que já manteve com o presidente Lula, ele tem reiterado o agradecimento pela presença brasileira e pela liderança do contingente militar e tem nos pedido que continuemos a prestar esse apoio.

Viotti explica ainda que tem se consolidado na ONU a percepção da necessidade de um trabalho de longo prazo no Haiti. Nos últimos vinte anos, conta ela, houve diversas missões de paz no Haiti.

– Na ONU, há a percepção de que essas missões talvez tenham deixado o país prematuramente, antes que estivessem dadas as condições de uma real estabilidade e de uma real retomada do crescimento pelas próprias condições do país.

A diplomata diz existir a convicção de que, com essa ajuda, o Haiti tem viabilidade política e econômica e poderá manter-se.

– A percepção é que, uma vez dadas as condições de estabilidade, como nos últimos meses, com a pacificação do país pela Minustah, já se notam iniciativas, abertura de pequenos negócios, restaurantes, pequenos atividades comerciais. É um povo empreendedor, que já teve no passado condições de demonstrar que pode efetivamente construir um país viável. E nós temos toda confiança de que isso vai acontecer.