Ministros visitam o Morro do Borel e se solidarizam com famílias de vítimas

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Publicado sexta-feira, 23 de maio de 2003 as 10:50, por: cdb

O ministro especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, e o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, visitaram hoje o Morro do Borel, na Tijuca, Rio de Janeiro, onde quatro rapazes foram assassinados no último dia 16 pela Polícia Militar do Estado. Na Associação de Moradores do Morro do Borel, Luiz Eduardo lamentou que a corporação policial tenha sua honra comprometida pela atuação de maus profissionais.

Acompanhados de autoridades fluminenses, o ministro e o secretário prestaram homenagem aos familiares das vítimas, que vestiam camisetas com a frase: “Posso me identificar?”. Segundo o secretário, dependendo da cor da pele e da classe social, o cidadão não tem nem mesmo a chance de se identificar. Mas, ressaltou, esse governo não pode e não vai tolerar nenhum tipo de arbitrariedade, violência, racismo ou injustiça. “Não podemos mais compactuar com isso, ou estaremos desmoralizando as instituições brasileiras”, indignou-se.

O secretário nacional de Direitos Humanos garantiu que o governo federal estará lutando contra a brutalidade, a violência e a corrupção policial, para colocar um freio definitivo nesta forma terrível de barbárie e porque o governo deseja construir um ambiente de paz, civilidade e solidariedade no país, salientou. O secretário classificou como abominável e o pior dos crimes o que é cometido por quem deveria estar cuidando da segurança, no caso, o policial. Esta é a forma mais covarde de se cometer um crime, ressaltou, fardado.

Luiz Eduardo lamentou, no entanto, que nenhuma medida concreta esteja sendo tomada para alterar este quadro de brutalidade policial contra os menos favorecidos e ressaltou a necessidade de mais rigor e transparência. “Temos de deixar de lado a hipocrisia. Nós somos hipócritas, sempre dizendo a mesma coisa: vamos investigar, vamos investigar, isso não vai acontecer de novo. Mas não há nenhuma medida concreta que possa, de fato, alterar este quadro. E a responsabilidade de mudar este quadro é nossa”, assumiu.