Ministros da UE pressionam Grécia a cortar mais o déficit

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Publicado terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 as 10:32, por: cdb

O ministro sueco das Finanças disse na terça-feira que o plano da Grécia para reduzir seu déficit não é suficiente, aumentando a pressão sobre Atenas para controlar suas finanças e acalmar os mercados.

Durante a reunião dos ministros de Finanças europeus em Bruxelas, o luxemburguês Jean-Claude Juncker também lamentou o comportamento “irracional” dos mercados, que derrubaram a cotação do euro em resposta aos problemas gregos.

Em 11 anos de existência da união monetária europeia, é a primeira vez que um país precisa de apoio dos demais por causa do seu endividamento. Dois lotes da dívida soberana do país, num valor superior a 8 bilhões de euros cada, vencem em abril e maio e terão de ser refinanciados. Espanha, Portugal e alguns outros países também estão na mira dos investidores.

– Esta é uma situação bastante urgente – disse o ministro sueco Anders Borg, cujo país faz parte da União Europeia, que tem 27 integrantes, mas não está entre os 16 que usam o euro.

– O que vimos até agora não basta. Precisamos de mais passos quando se trata de impostos e (…) gastos, mesmo que eles queiram construir credibilidade no mercado – completou.

Na segunda-feira, ministros da zona do euro haviam informado à Grécia que o país teria de provar diariamente a redução do seu déficit em troca da promessa de apoio recebida de dirigentes da UE na semana passada. Os ministros alertaram também que talvez sejam necessárias medidas adicionais.

– A chave não é os próximos 30 dias. É o que acontece hoje, amanhã, depois de amanhã – disse a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde.

– O que todos queremos que aconteça (…) é a implementação do plano grego que aprovamos e que será confirmado hoje – acrescentou.

A Grécia já anunciou aumento do imposto sobre combustíveis, reduções no salário do funcionalismo público e reformas previdenciárias, o que gerou protestos populares. O país terá de reduzir seu déficit até 2012 de 12,7% para menos de 3% do PIB, começando com um corte de quatro pontos neste ano.

Parte do problema da Grécia é recuperar a credibilidade depois de anos divulgando dados financeiros que, segundo o sueco Borg, eram “basicamente fraudulentos”.

Na reunião de segunda-feira, o ministro grego das Finanças, George Papaconstantinou, pediu paciência e sugeriu que talvez o apoio político verbal manifestado por líderes da UE não baste para conter as especulações do mercado.