Ministro venezuelano diz que a verdade sobre o país foi escamoteada

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 19 de abril de 2003 as 19:22, por: cdb

O ministro venezuelano de Relações Exteriores, Roy Chaderton, afirmou este sábado que a “verdade” sobre o conflito no país foi “escamoteada” ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Collin Powell.

Chaderton respondeu assim a declarações do alto funcionário dos Estados Unidos divulgadas sábado pela imprensa local, nas quais disse que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, demonstraria seu compromisso com a democracia ao permitir a realização neste mesmo ano de um referendo livre e justo sobre sua permanência no poder.

“Devo dizer ao amigo secretário Powell que alguém em Washington lhe escamoteou duas partes, muito importantes, do esquema da verdade do que ocorre na Venezuela”, disse Chaderton aos jornalistas em um ato oficial em Caracas.

Ressaltou que “a primeira” parte ocultada aos olhos de Powell “é que o referendo revocatório” do mandato “é lei, está na Constituição”, por isso sua eventual realização depende do preenchimento dos requisitos legais.

Governo e oposição conseguiram um pré-acordo sobre a eventual realização de um referendo revocatório na “mesa de negociação e acordos”, onde tentam buscar uma saída eleitoral à crise com a facilitação do secretário-geral da OEA, César Gaviria.

“O referendo revocatório quando acontecer, se a oposição reunir as assinaturas e cumprir os requisitos legais, não é uma prova de fogo: é um exercício democrático, absolutamente legal e constitucional”, declarou Chaderton.

Destacou que dito referendo, “essa norma de luxo da democracia, chegou a Constituição não por iniciativa da oposição mas do Governo” de Chávez.

O referendo revocatório permite suspender antecipadamente o mandato Executivo a partir da metade do período, que no caso de Chávez se cumprirá no próximo 19 de agosto.

“A segunda escamoteação que fizeram ao secretário Powell é que, se é para desconfiar por sua atuação, que se desconfie da oposição” venezuelana, acrescentou Chaderton.

A imprensa local destacou que Powell declarou ter “dúvidas sobre o compromisso de Chávez com os tipos de instituições democráticas que consideramos essenciais em uma democracia”.

Chaderton argumentou que a oposição buscou “saídas golpistas” em seu afã de “sair de Chávez”, e citou que assim o têm reconhecido importantes líderes do movimento opositor venezuelano.

Disse que “a oposição deu um golpe bem-sucedido, afortunadamente temporário, em 11 de abril” de 2002, quando Chávez foi derrubado durante 48 horas e instalou-se no país um governo transitório presidido pelo então líder da patronal, Pedro Carmona.

Carmona, que aboliu todos os poderes públicos com seu primeiro decreto, está foragido da Justiça e exilado na Colômbia.

A oposição “gerou comoções sociais e políticas, tentou estrangular economicamente a Venezuela e pretendeu criar pânico financeiro” com a recente greve geral de 63 dias, que provocou mais de 7 bilhões de dólares em perdas ao país, disse Chaderton.

“Além disso, a oposição se tem valido do terrorismo midiático para, como disse um importante líder da oposição “sair de Chávez”. Todo isso é o que nós pensamos que foi escamoteado ao secretário Powell”, acrescentou o chanceler da Venezuela.