Ministro pode pedir a anulação do vestibular na UFRJ após violências

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 29 de outubro de 2001 as 20:43, por: cdb

O ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, disse que irá se reunir nesta terça-feira com o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Henrique Vilhena, para tratar do fato ocorrido no domingo, quando cerca de 14 mil provas foram anuladas após conflito entre manifestantes durante a realização do vestibular.

O ministro adiantou que será avaliada a possibilidade do cancelamento do vestibular e a possibilidade de definir uma nova data para os alunos que se sentirem prejudicados. Para isso, acrescentou que será avaliada as condições legais para definir a decisão do Ministério.

Batalha judicial apenas começou

A batalha jurídica do vestibular da UFRJ está longe do fim. A União Estadual dos Estudantes (UEE) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) vão entrar com mandado de segurança para anular as provas de ontem, além de ação civil pública pedindo o adiamento do vestibular. Vão alegar desigualdade de condições para os alunos dos colégios federais – sem aula por causa da greve.

As duas entidades colocaram seus advogados à disposição dos candidatos que queiram entrar com medidas cautelares. Roberta de Almeida Anete, diretora da UEE, prometeu entrar com notícia-crime contra o tenente-coronel Paulo César Ferreira Lopes, comandante do policiamento. Com o braço esquerdo roxo, Roberta apontava Lopes como seu agressor. A estudante reivindica ainda reparação por dano moral.

Pelo menos outros seis estudantes se machucaram, mas Márcio Batata, integrante do Conselho Universitário da UFRJ, calculava em 200 os feridos.

Os dirigentes estudantis preparam representação contra a PM para entregar à Secretaria de Segurança. “As duas próximas semanas serão muito conturbadas e vão afetar mais a cabeça dos vestibulandos”, disse Batata, anunciando um ato pela paz, hoje, na Candelária.

Segundo o advogado Jorge Beja, há três motivos para o cancelamento das provas: é exigido conhecimento que a própria universidade não pôde oferecer em seu colégio de aplicação; as datas do edital não podem ser alteradas (o que impediria a nova prova para o pessoal do CAp-UFRJ) e os estudantes de colégios federais não terão concluído o Ensino Médio até a matrícula. Beja disse que seus serviços foram requisitados por sete alunos. “Vou decidir se aceito. É briga para mais de um ano”, previu.