Ministro do México nega precipitação ao anunciar fracasso de Conferência

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Publicado segunda-feira, 15 de setembro de 2003 as 01:29, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores mexicano, Luis Ernesto Derbez, negou no último domingo, que tenha atuado com precipitação ao dar por fracassada a V Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC). 
 
– Não foi uma decisão precipitada, mas racional. Não havia forma de conseguir um consenso. Tentei de diferentes formas e no interesse da maior transparência, mas a maioria dos membros não queria um compromisso – disse Derbez, ao explicar o episódio.

O malsucedido desenlace aconteceu depois que um grupo de países em desenvolvimento, africanos, asiáticos e caribenhos em sua maioria, rejeitou a última oferta européia sobre os chamados ‘temas de Cingapura’.

A UE se propôs a negociar apenas dois deles – facilitação do comércio e transparência na contratação pública – e deixar de fora os dois restantes e mais polêmicos, os de investimentos e política de concorrência. O grupo se negou, porém, a aceitar o lançamento de negociações sobre qualquer um destes assuntos.

Derbez se defendeu também da estratégia de colocar os temas de Cingapura em primeiro plano nas reuniões-chaves do último dia, terreno em que as diferenças entre os países eram maiores do que na agricultura, por exemplo, onde pouco a pouco parecia-se configurar um acordo, apesar de sua enorme complexidade.

O chanceler mexicano explicou que, apesar do golpe sofrido em Cancún, foram feitos ‘progressos em todas as frentes’ e, por isso, deve-se continuar trabalhando sobre a base da minuta da Declaração Ministerial.

– Minha recomendação é continuar trabalhando em Genebra (onde fica a sede da OMC) para poder apresentar os relatórios (sobre eventuais progressos) para o próximo 15 de dezembro – insistiu.

O diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpaki, avaliou que é possível conseguir resultados ‘substanciais’ nesta rodada em proveito, sobretudo, dos países em desenvolvimento.

Ele lembrou que há temas relativos à aplicação dos acordos da rodada anterior, a do Uruguai, de especial interesse para os países do Sul e que, no entanto, levam meses na agenda.