Ministro da Saúde da China renuncia o cargo

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Publicado sábado, 26 de abril de 2003 as 14:06, por: cdb

O ministro da Saúde da China, Zhang Wenkang, renunciou ao cargo neste sábado depois de sofrer várias críticas pela maneira como conduziu o combate à pneumonia atípica que assusta o país.

Acabam de ser divulgadas outras sete mortes causadas pela chamada Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês), totalizando 122 vítimas fatais até agora.

Wenkang, que já havia perdido seu posto no Partido Comunista na semana passada, será substituído pela vice-primeira-ministra Wu Yi, a mulher mais poderosa do partido.

Para tentar controlar a epidemia na região, autoridades da saúde de vários países asiáticos estão reunidas em Kuala Lumpur, na Malásia.

Severidade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que os países têm que ser “absolutamente severos” na luta contra a pneumonia atípica.

“Temos que usar todas as armas que estão à nossa disposição. O mundo está nos assistindo”, declarou Shigeru Omi, oficial da OMS, para os representantes da Associação das Nações do Sudeste Asiático, além da China, Japão e Canadá.

Enquanto isso, aumenta o número de países no mundo que começam a adotar medidas duras contra a doença, entre eles a França, que prometeu internar à força, se for preciso, pessoas suspeitas de estarem contaminadas.

A movimentação ocorre depois da divulgação de relatórios que apontam uma taxa de mortalidade duas vezes mais alta que o previsto anteriormente.

Shigeru Omi descreveu este tipo de pneumonia como a “primeira doença contagiosa severa a aparecer no século 21”. Ele disse que o risco de danos para a economia mundial torna “imperativo que nós façamos uma revisão dos problemas que temos em comum para encontrar as melhores soluções possíveis”.

A conferência deste sábado está abrindo os trabalhos para um encontro dos chefes de Estado dos países afetados em Bangkok, Tailândia, na terça-feira.

O correspondente da BBC na Malásia, Jonathan Kent, diz que o nível do encontro mostra como os países estão seriamente preocupados com a epidemia.

Ele analisa que deve ser fácil um acordo sobre como informar a população, mas pode haver controvérsia nas propostas de fazer exames em pessoas nas fronteiras, restringir movimentação interna ou identificar áreas como zonas infectadas.

Além dos apelos para cooperação regional, muitos países agem por si.

A China, o primeiro atingido e fonte da epidemia, anunciou que vai gastar mais de US$ 400 milhões em uma rede nacional de saúde para enfrentar o vírus. O país também decretou quarentena em dois hospitais.

A Cingapura começou a adotar isolamento e até mesmo uma espécie de etiqueta de identificação eletrônica nos suspeitos de terem a doença. Quem desobedecer a quarentena pode ser preso.

Autoridades do Canadá, único país fora da Ásia a registrar mortes causadas pela doença, continuam a rejeitar os alertas da OMS para evitar viagens à maior cidade do país, Toronto.

Na sexta-feira, o país registrou sua 19ª vítima fatal, uma mulher de 64 anos.

O primeiro-ministro Jean Chrétien anunciou que vai fazer uma reunião ministerial em Toronto na terça-feira como forma de assegurar que não há riscos de se viajar para lá.

Estudos

A OMS estima que a taxa de mortalidade da pneumonia pode ter crescido para algo em torno de 5% e 6%. Originalmente, trabalhava-se com a taxa de 4%.

Mas outros especialistas sugerem que essa taxa poderia ser ainda mais alta, talvez o dobro do estimado pela OMS.

A revista New Scientist afirmou que, nas cidades mais afetadas, o índice de mortalidade chega a ficar entre 13% e 19% dos “casos resolvidos” (aqueles em que o paciente morre ou se recupera).

A revista estima que a taxa deve ficar em torno de 10% depois que houver a possibilidade de se estudar com mais calma a epidemia.

Em um outro estudo, que leva em conta os cerca de 1,4 mil casos em Hong Kong, o professor Roy Anderson, do Imperial College, de Londres, estima que entre 8% e 15% dos que contraíram o vírus irão morrer.

Mo