Ministro da Saúde chinês e prefeito de Pequim são demitidos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 20 de abril de 2003 as 11:42, por: cdb

A China depôs no domingo o ministro da Saúde e o prefeito de Pequim. Diplomatas e fontes do governo disseram que a razão é que eles não souberam enfrentar de maneira adequada o surto mortal da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) na capital.

As demissões do ministro Zhang Wenkang e do prefeito Meng Xuenong aconteceram ao mesmo tempo em que a China, que vem sendo criticada por ter ocultado a extensão do surto, informou que o número de casos de Sars em Pequim era dez vezes maior do que o anteriormente divulgado.

As medidas decisivas foram um sinal de que o presidente Hu Jintao, que tomou posse em março e vem fortalecendo sua imagem de homem do povo, está se fazendo notar na nova administração.

Na quinta-feira, Hu declarou que a China estava em guerra contra a Sars, ordenando a revelação total dos fatos relativos ao surto e ameaçando castigos duros a funcionários públicos flagrados acobertando casos ou demorando para reportá-los.

O castigo não demorou a se manifestar, com o sacrifício do prefeito Meng, um dos aliados pessoais do presidente, e a demissão do ministro da Saúde, o que é uma atitude muito rara.

Em outra iniciativa ousada, o governo assumiu um risco econômico ao cancelar o feriadão do Dia do Trabalho, conhecido como “Semana de Ouro”, visando desencorajar os chineses de viajar e, com isso, impedir que a doença se espalhe pelo país. O feriadão era visto como algo que ajudaria a economia, por incentivar o consumo.

Diante das críticas globais dizendo que o governo de Pequim acobertou o surto de Sars e, com isso, ajudou a espalhar a doença pelo mundo, os novos líderes da China estão lutando para reparar a imagem do país, para o qual o surto de Sars representa o golpe mais forte desde o massacre da praça Tienanmen, em 1989.

A rápida expansão da Sars em Pequim e o acobertamento do fato pelas autoridades de saúde chinesas também suscitaram temores com relação à cidade que vai abrigar as Olimpíadas em 2008.

Hoje Pequim é a terceira comunidade mais atingida pela Sars no mundo, depois da província de Guangdong e de Hong Kong.

“Não houve jeito”, disse uma fonte estreitamente ligada a líderes do governo. “A situação em Pequim ficou fora de controle, e era preciso apontar alguém como responsável”.