Ministro da Agricultura defende dólar a R$ 3,00

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Publicado terça-feira, 18 de janeiro de 2005 as 18:12, por: cdb

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou nesta terça-feira à Agência Estado que o valor do dólar está “muito ruim para a agricultura” e defendeu um dólar a R$ 3,00.

– É um número muito bom. É um número que o setor pode faturar – afirmou.

Mais cauteloso que o colega do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, Rodrigues disse entender que o câmbio flutuante faz parte dos pilares da política econômica do governo.

– Por enquanto eu estou a favor de dizer que o dólar está muito baixo e está muito ruim para a agricultura. Isso é o que estou dizendo por enquanto. Não estou falando ainda em intervenção, até porque a comercialização da safra brasileira vai se dar a partir do final de março. Então nós temos ainda dois meses para avaliar o que vai acontecer na agricultura – afirmou.

Rodrigues disse torcer para que o dólar tenha uma valorização em função de um reaquecimento da economia norte-americana. O ministro afirmou que o comportamento do câmbio nos próximos meses pode mudar completamente a relação de renda do produtor rural.

Ele previu que o saldo da balança comercial do agronegócio em 2004 não deve se repetir em 2005.

– Se nós exportamos mais produtos ainda que por um dólar mais barato e tiver uma valorização da moeda, o que eu espero que possa acontecer, nós vamos ter exportações parecidas com o que foi no ano passado – disse.

– Mas muito provavelmente não teremos o mesmo saldo porque com o dólar baixo está entrando muito insumo agrícola, de modo que isso tira um pouco o horizonte de saldo comercial – explicou.

As exportações do agronegócio em 2004 foram de US$ 39,015 bilhões e o superávit, de US$ 34,134 bilhões.

Rodrigues disse ainda que a valorização do Real frente ao dólar aumentou o custo da produção porque os insumos foram comprados a R$ 3,20.

– Além de ter um dólar ruim para vender e um preço em dólar que caiu no mundo inteiro, nós pagamos nos insumos um dólar muito maior que agora – disse.

Ele explicou que o cenário é negativo para cinco produtos: soja, algodão, trigo, arroz e milho. Além de haver uma oferta mundial muito grande dessas commodities, o Brasil terá safra recorde em algodão, soja e arroz e estoques grandes de trigo e milho, gerando uma oferta recorde.

– É um cenário complicado e não é um cenário de solução de curto prazo – disse Rodrigues.

O ministro informou que está estudando mecanismos para ajudar estes setores, mas garante que não haverá uma regra comum.

– Não pode ter uma regra geral de prorrogação de dívida porque o problema não é geral. Há produtos e produtos, produtores e produtores. Então tem que analisar com cuidado o que é possível fazer na área de débitos – disse, referindo-se ao pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) de prorrogação das parcelas de financiamento dos produtores.

Rodrigues disse que também quer produzir instrumentos que viabilizem a rápida comercialização dos produtos, como os leilões de opções e de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e os novos títulos agrícolas lançados no final do ano.

– Esses mecanismos funcionando vão ajudar a tirar a pressão sob o produtor – explicou.