Ministro alemão propõe que UE retire imigrantes nas zonas de crise

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Publicado segunda-feira, 21 de setembro de 2015 as 11:07, por: cdb

Por Redação, com ABr e Reuters – de Berlim/Budaeste:

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, propôs nesta segunda-feira que a União Europeia (UE) vá diretamente às zonas de crise procurar os refugiados para travar o atual fluxo de imigrantes e, dessa forma, neutralizar as redes de traficantes.

– Proponho que cheguemos a acordo na Europa em relação a um contingente, um contingente generoso. Iríamos procurar nas zonas de crise os refugiados, sem que os traficantes ganhassem dinheiro, para depois os repartir pela Europa – disse.

– O contingente deve ser generoso para que a Europa dê resposta às suas responsabilidades humanitárias – acrescentou.

Maizière não deu pormenores sobre o modo como seria feita a escolha dos refugiados, mas a ideia reforça a do primeiro-ministro britânico, David Cameron. Segundo Cameron, o Reino Unido receberia 20 mil sírios vindos diretamente de campos de refugiados instalados nos países vizinhos da Síria em guerra.

A Alemanha deve receber este ano entre 800 mil e um milhão de solicitantes de asilo
A Alemanha deve receber este ano entre 800 mil e um milhão de solicitantes de asilo

O ministro alemão disse que, uma vez ultrapassado o limite europeu estabelecido, a Europa não deixaria os imigrantes “afogarem-se no Mediterrâneo”. Ao contrário, seriam reinstalados em “zonas seguras” da sua região geográfica.

Esta posição contraria as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, que defende a existência de quotas de admissão de imigrantes na Europa sem a determinação de um limite. A Alemanha deve receber este ano entre 800 mil e um milhão de solicitantes de asilo, um recorde na Europa.

Anti-imigração

O partido de direita grego Fidesz aumentou significativamente sua liderança sobre os principais grupos de oposição entre junho e setembro, muito provavelmente devido à política de repressão aos imigrantes, revelou o instituto de pesquisa Ipsos nesta segunda-feira.

O governo do primeiro-ministro Viktor Orban construiu uma cerca para impedir a entrada de imigrantes a partir da fronteira com a Sérvia e agora está construindo outra, também com 3,5 metros de altura, na fronteira com a Croácia.

Sob as novas leis impostas por Orban, muitos daqueles que buscam formalmente asilo na Hungria podem ser rejeitados dentro de poucas horas. Ele tem dito que a Europa corre o risco de ter o número de muçulmanos superando o de cristãos, e seu governo estabeleceu uma campanha anti-imigração.

O Ipsos disse que o apoio ao partido Fidesz, de Orban, subiu para 24%  em setembro ante 20 %  em junho, enquanto a segunda força política, o grupo de extrema-direita Jobbik, caiu de 15%  para 14 %.

Os socialistas subiram de 9 para 10 %.