Ministra britânica deixa o governo Blair

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Publicado segunda-feira, 12 de maio de 2003 as 08:29, por: cdb

A ministra de Desenvolvimento e Cooperação Internacional, Clare Short, conhecida por seus polêmicos comentários contra a política do primeiro-ministro, Tony Blair, anunciou esta segunda-feira segunda-feira sua demissão do Governo.

Short, escolhida pela circunscrição de Birmingham (no centro da Inglaterra), telefonou para Blair pela manhã para comunicar sua decisão, segundo confirmou um porta-voz oficial do primeiro-ministro.

Em uma carta enviada a Blair, da qual somente se sabe alguns detalhes, Short critica o “premier” por não ter conseguido o papel “vital” prometido para a ONU na reconstrução do Iraque, e por ter feito “negociações secretas” sobre o assunto.

Short já ameaçou se demitir quando Blair decidiu fazer a guerra contra o país árabe junto com os Estados Unidos e sem o referendo das Nações Unidas, mas se retratou e permaneceu no cargo.

A ministra, que então classificou de “temerária” a política de Blair, decidiu ficar depois que o “premier” prometeu a ela que seu Ministério desempenharia um rol fundamental na reconstrução do Iraque.

Segundo a carta, Blair prometeu coisas que ela considera agora que não foram cumpridas.

A ministra deixa o Gabinete depois de faltar na semana passada à uma votação importante na Câmara dos Comuns, sobre a reforma da saúde no Reino Unido, e à última sessão do Gabinete.

Short, que representava a ala mais progressista do Governo e que nunca se considerou parte do “Novo Trabalhismo” que representa Blair, foi tão louvada quanto criticada durante seu mandato.

Ela expressava às claras sua opinião sobre qualquer assunto à margem da postura oficial -como durante a crise iraquiana e em outras ocasiões- e conseguiu aumentar o orçamento e influência de seu Ministério de Desenvolvimento e Cooperação Internacional.

Por outro lado, sua incontinência verbal desestabilizava o Executivo e muitos a criticaram por não cumprir suas ameaças.

Assim, o diretor da Coalizão Pare a Guerra, Andrew Murray, disse que se a ministra tivesse se demitido antes, como assegurou que faria se o Reino Unido fosse à guerra sem a ONU, “talvez esta pudesse ter sido evitada”.

O porta-voz de Exteriores conservador, Michael Howard, aproveitou para ressaltar que “este Governo parece desintegrar-se: não entra de acordo nem no Iraque, nem na reforma da saúde, nem sobre o euro”.

Além disso, acrescentou, “esta é a segunda demissão dentro do Gabinete em apenas algumas semanas”, em alusão à renúncia de Robin Cook.

Cook, líder trabalhista na Câmara dos Comuns com posto no Gabinete, se demitiu por considerar a guerra contra o Iraque ilegal.