Ministério do Esporte dá sua contribuição aos povos indígenas

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Publicado quinta-feira, 19 de abril de 2012 as 17:33, por: cdb

Os descendentes dos primeiros habitantes do Brasil vêm ganhando maior espaço nas políticas públicas. Na data em que se comemora o Dia do Índio, nesta quinta-feira (19), o Ministério do Esporte apresentou as ações da pasta que contemplam esses guerreiros brasileiros. Entre as iniciativas está a realização do maior evento intertribal das Américas: os Jogos dos Povos Indígenas.

Entre as iniciativas do Ministério está os os Jogos dos Povos Indígenas

Com duração de oito dias, o evento tem caráter esportivo e cultural, com exposição de artesanatos e rodadas de debates, e ao longo de 11 edições nacionais se tornou um referencial de intercâmbio e troca de experiências. O recorde de participação étnica é da última edição dos jogos, em novembro, no Tocantins, onde 1,4 mil índios de 39 etnias marcaram presença.

Tamanho foi o sucesso da 11ª edição que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, anunciou a intenção de transformar os jogos em evento internacional, criando os Jogos Mundiais Indígenas, que serão uma experiência pioneira do governo brasileiro. “O Ministério do Esporte tem o desafio de valorizar esses eventos não apenas como prática esportiva, mas cultural e social”, afirmou o ministro, logo após se reunir com Marcos Terena, diretor do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena e reforçar o compromisso com a formação do esporte tradicional indígena.

Outra iniciativa estudada pelo ministério e Comitê Intertribal é a criação de uma Miniolimpíada Verde para mostrar ao mundo sua riqueza indígena e o potencial de organização de megaeventos esportivos, culturais e de sustentabilidade. O evento deverá ser realizado durante a Kari-Oca, nome dado à participação indígena na Rio+20, quando estarão reunidos chefes de Estado e lideranças mundiais, de 20 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. A ideia é promover, numa versão reduzida, os Jogos dos Povos Indígenas, com a participação de 300 índios de 12 etnias.

Pelc Indígena

Com relação aos programas sociais do Ministério do Esporte, o Esporte e Lazer da Cidade (Pelc) investiu na versão criada para atender às comunidades indígenas brasileiras. Ação que apresenta o lazer com formato diferente, adaptado de acordo com a realidade nativa, o Pelc Indígena chegou às aldeias dos povos Wai-Wai, Terena e Xavante, respectivamente no Pará, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, como ferramenta de resgate da identidade desses povos. Atraídos pelo diferencial do esporte e com a colaboração dos idosos da aldeia, crianças, adolescentes e adultos seguem uma dinâmica diária de atividades cujo foco principal é a prática dos costumes ancestrais que estavam sendo esquecidos.

Segundo Tempo

Cerca de 500 alunos indígenas das aldeias Namunkurá, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Guia e São Marcos ajudaram o esporte de inclusão a superar conflitos e se transformar em ferramenta de união e de paz entre os povos Xavante. Um problema decorrente da não entrega do comando da aldeia São Marcos, pelo cacique derrotado nas eleições, dividiu a aldeia. Parte permaneceu com o nome de aldeia São Marcos e outra foi criada: Guadalupe.

Foram muitos os desentendimentos. O maior deles envolvia a questão da espiritualidade, fato inaceitável, especialmente para os índios idosos. Segundo a tradição Xavante, o ritual de iniciação religiosa para crianças deve acontecer a cada 10 anos. Entretanto, a cerimônia foi desrespeitada a ponto de uma aldeia realizar o ritual e a outra praticá-lo um ano depois, sem respeitar o intervalo exigido.

O esporte e a prática das danças e a volta dos ritmos e dos cânticos tradicionais uniram as aldeias São Marcos e Guadalupe. O PST harmonizou a juventude, que, por sua vez, trouxe os adultos, que restabeleceram a amizade entre os parentes.

Outra ação gerada a partir dos jogos é um acordo para difundir a brasilidade indígena – alegria, língua, esportes, conhecimento, culinária, pinturas, artesanato, ritos e espiritualidade – por meio da produção de um livro que servirá de conteúdo para embasar as ações indígenas em eventos oficiais, como os esportivos. Também foram autorizadas a produção de um vídeo e de exposição de fotos referentes aos jogos.

Fonte: Ministério do Esporte

 

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