Ministério da saúde estende ‘colcha da solidariedade’ no dia do combate à Aids

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Publicado sábado, 29 de novembro de 2003 as 16:48, por: cdb

Na próxima segunda-feira (1) todos os países comprometidos com o combate ao HIV vão celebrar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. O dia 1º de dezembro foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o lançamento de uma campanha internacional com o objetivo de conscientizar os governantes a atingir a meta de dar tratamento gratuito a três milhões de portadores do vírus HIV, até o final de 2005.

Para lembrar a data e comemorar os 20 anos da resposta brasileira à epidemia, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), estará lançando um selo e o ministério da Saúde vai estender uma grande “colcha da solidariedade”, na Praça dos Três Poderes. Para o Ministro Humberto Costa, esta é uma forma simbólica de combater o preconceito contra os portadores do vírus HIV e de lembrar as vítimas que a doença já fez no país. A cerimônia terá início às 9h da manhã, com a chegada de estudantes à Esplanada dos Ministérios.

Os estudantes vão pintar espaços vazios da colcha, ao som do Hino da Solidariedade. A música é do compositor mineiro Wagner Tiso e a letra da poeta e atriz carioca Elisa Lucinda. O hino foi criado a pedido da Organização Não-Governamental Ação e Cidadania, do Rio de Janeiro, para reforçar a urgência da luta contra a Aids nos países africanos. A gravação do hino reuniu vozes dos cantores mais populares dos cinco países de língua portuguesa: Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

A colcha foi confeccionada por estudantes dos ensinos fundamental e médio que participaram de discussões sobre a importância da solidariedade às vítimas da doença. Cinqüenta e quatro escolas de todos os estados brasileiros e o Distrito Federal, além de organizações não-governamentais (ONGs), receberam um kit do Programa Nacional de DST/Aids com uma parte da colcha. Foram produzidos seis mil metros quadrados de mensagens de solidariedade às 135 mil pessoas que têm aids no Brasil.

Para encerrar a solenidade, a Escola de Samba Grande Rio vai apresentar ao público o samba-enredo do Carnaval 2004 “Pecado é Não Usar”. O samba defende o uso da camisinha como a forma mais eficaz de prevenção à Aids e será cantado pelo diretor da escola, o carnavalesco Joãozinho Trinta, mais cinco ritmistas, mestre-sala e porta-bandeira.

O primeiro caso brasileiro de Aids foi notificado em 1983. Nesse mesmo ano, começou a mobilização nacional para o enfrentamento da epidemia, com a união de forças entre o governo e a sociedade civil. A primeira ação foi em São Paulo, com a criação da Coordenação Estadual de DST/Aids pelo governo estadual e a mobilização de ativistas de pessoas vivendo com o HIV.

Além de relembrar essa trajetória, as atividades do Dia Mundial também vão servir como reflexão. Para o Coordenador do Programa DTS/Aids, do Ministério da Saúde, Alexandre Granjeiro, apesar de ser motivo para reconhecer os avanços do Brasil nessa área, é necessário pensar nos desafios do futuro, já que a epidemia permanece como um importante problema de saúde pública.

Os 20 anos de resposta brasileira à luta contra a Aids fez do país uma referência mundial. De acordo com os dados do Programa DST/Aids, os óbitos foram reduzidos em mais de 50%; a epidemia está estabilizada, com tendência a queda desde o ano de 2000; todos os doentes têm acesso universal e gratuito ao tratamento e aos exames; e a estimativa do Banco Mundial de que, no ano 2000, o Brasil teria 1,2 milhão de infectados não se confirmou. O país virou o século com uma estimativa de 600 mil pessoas com o HIV, ou 0,5% da população. Isso mostra o sucesso dos programas preventivos e educativos, que levam o país a um dos mais altos índices de uso do preservativo no mundo: 58% nas primeiras relações sexuais.

O Dia Mundial de Luta contra a Aids foi criado em 1988, durante Encontro Mundial de ministros de Saúde, em Londres, com a participação de 140 países. Objetivo da data é mobilizar governos, sociedade civil, portadores do HIV e ou