Minas pode ter quarentena por causa da SARS

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Publicado quinta-feira, 1 de maio de 2003 as 08:53, por: cdb

Os órgãos de saúde das esferas municipal, estadual e federal estão discutindo medidas legais para garantir que o cumprimento da quarentena domiciliar por pessoas que tiveram contato íntimo com pacientes sob suspeita de pneumonia asiática seja obrigatório.

Em Belo Horizonte, onde o menino W.L.K., 2,9 anos, encontra-se internado desde a última segunda-feira com suspeita da doença, a quarentena não vem sendo respeitada por todos os familiares da criança.

Por contato íntimo entende-se proximidade suficiente para contaminação por secreções respiratórias, situação em que se enquadram a mãe da criança, em isolamento hospitalar, o pai, a irmã, e o primeiro pediatra que a atendeu, os três em quarentena domiciliar.

Segundo informações dos vizinhos, o pai de W.L.K., que não apresenta os sintomas da doença, sai diariamente para trabalhar desde que o filho foi internado. Os funcionários da loja de produtos importados e nacionais de propriedade da família, no centro da cidade, confirmam.

Apesar de não haver registros de transmissão do vírus por pessoas que ainda não manifestaram os sintomas, como se trata de uma doença recente e pouco conhecida, nem mesmo os especialistas arriscam-se a descartar definitivamente que possa haver contágio nesta fase. A quarentena domiciliar dura dez dias, tempo de incubação do vírus.

W.L.K. chegou ao Brasil, vindo de Hong Kong, na China, há oito dias. Ontem, o menino teve febre baixa e apresentou freqüências respiratória e cardíaca normais. Houve melhoras nos Raios-X de tórax.

De acordo com os funcionários da loja, o pai de W.L.K. tem trabalhado apenas à tarde desde que o filho foi hospitalizado. “Falei com a mãe por telefone e ela me disse que o menino está bem e brincando. No começo eu estava preocupada, porque ele veio de Hong Kong, onde tem a doença. Mas agora o médico já falou para a mãe que ele não está com pneumonia asiática. Não estou mais com receio”, garantiu a gerente da loja, Rose Santos, 26 anos, ignorando que o resultado dos testes ainda deve ser divulgado dentro de oito dias.

Segundo um primo da mãe da criança, que trabalha na loja e fala pouco o Português, W.L.K. adoeceu por causa da “mudança de clima”. “Não estou com medo. Estamos trabalhando normal”, disse o primo, que preferiu não ter o nome divulgado. Entre os vendedores, entretanto, o clima é de insegurança. “Fiquei cismada, com medo, mas não podia deixar de vir trabalhar”, explicou uma vendedora, que pediu anonimato.

Alheios à quebra da quarentena, os clientes entravam e saíam da loja normalmente. O pai de W.L.K. seria comunicado nesta quarta-feira, através de ofício das autoridades de saúde, sobre a necessidade de permanecer em quarentena.

A transmissão do vírus acontece pelo ar – gotículas de saliva e espirros – ou através de mãos contaminadas que inoculam o vírus em mucosas das vias aéreas. O vírus tem três horas de sobrevida no ambiente. Após a cura de doenças viróticas com quadro agudo respiratório, categoria em que se enquadra a pneumonia asiática, não há mais transmissão do vírus, segundo os epidemiologistas.

Responsável pela orientação e acompanhamento das pessoas que tiveram contato íntimo e prolongado com a criança sob suspeita de contaminação pelo vírus da pneumonia asiática, a Vigilância Epidemiológica Municipal informou, através da assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, que os familiares do menino são monitorados diariamente, através de contato telefônico a cada duas horas.

De acordo com a assessoria, o departamento tem conhecimento de que o pai da criança não tem cumprido a quarentena, mas não tem meios legais para garantir que ele fique em casa, já que não há na legislação brasileira um dispositivo que retire o direito de ir em vir do cidadão em caso de risco de disseminação de doenças contagiosas, como a pneumonia asiática.

Em cidades onde a doença se transformou em epidemia, como Hong Kong, na China, prédios e bairros inteiros foram isolados com uso de f