Minas Gerais ganha pelotão de elite

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Publicado quarta-feira, 12 de novembro de 2003 as 01:53, por: cdb

Mil homens, já chamados de os ‘novos intocáveis’, irão formar uma divisão de elite para combater o crime organizado na Região Sudeste do país. Agentes federais, policiais rodoviários, civis e militares, além de juízes e promotores de Justiça, e membros da Administração Penitenciária de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, vão atuar de forma integrada, semelhante a experiências bem-sucedidas nos Estados Unidos, Itália e Inglaterra.

A meta principal é racionalizar custos, otimizar conhecimento e operações com a finalidade de atacar alvos específicos para obter pronta resposta. Para essa missão, os ‘intocáveis’ vão aprimorar treinamentos para aprender a lidar com sistemas sofisticados de informação e comunicação, além de dispor de viaturas, helicópteros e armamento moderno.

O convênio para formalizar a força-tarefa deverá ser assinado na próxima terça-feira, em Brasília, quando os governadores e seus respectivos secretários de Defesa Social ou Segurança Pública vão se reunir com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

A criação do grupo de elite, que em cada estado ficará subordinado ao Gabinete de Combate ao Crime Organizado, foi confirmada ontem pelo secretário de Estado da Defesa Social, desembargador Lúcio Urbano. Os quatro gabinetes estaduais ficarão submetidos à Secretaria Nacional de Segurança Pública. O secretário reconheceu que o crime organizado tem mostrado sua força na Região Sudeste.

Para ele, a ação desses bandidos ficou evidente no recente assalto a banco, em Ouro Preto.
 
– Se nós também não nos organizarmos, vamos perder essa guerra – disse o secretário, que descartou a presença de homens do Exército no grupo.

Os ‘intocáveis’ serão pinçados dentre os policiais mais eficientes e condecorados de cada corporação dos quatro estados envolvidos no projeto. Para maior agilidade operacional, os bancos de dados de Minas, Rio, São Paulo e Espírito Santo serão interligados. A idéia é dar aos integrantes do grupo de elite acesso irrestrito às informações sobre criminosos, suas organizações, formas de agir e alvos preferenciais, além de veículos e armamentos utilizados.

De acordo com Lúcio Urbano, esses policiais terão salvo-conduto para atravessar as fronteiras dos quatro estados sem cumprir os trâmites burocráticos usuais.
 
– Se bandidos não têm fronteira, os policiais também não podem ter – justificou.
Para dar início ao projeto, segundo o secretário, cada Estado já recebeu verba de R$ 2,5 milhões do Governo federal. O dinheiro para integração dos bancos de dados, compra de armas, viaturas e helicópteros ainda será acertado com o Ministério da Justiça.

A constituição de uma divisão de elite para o combate ao crime organizado no Sudeste brasileiro só vai funcionar se, em cada Estado envolvido no projeto, as forças policiais realmente trocarem informações, em uma colaboração efetiva, deixando de lado a ‘guerra de vaidades’. É no que acredita o chefe da recém-criada Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, delegado federal Cláudio Dornelas.
 
– Se isso acontecer, as operações vão atingir seus objetivos – disse.

Dornelas disse ter sentido na pele esse problema, quando atuou na força-tarefa que investigou o assassinato do promotor Francisco José Lins do Rego, morto em janeiro de 2001. Segundo ele, foram muitas as dificuldades operacionais encontradas no trabalho conjunto com as polícias Civil e Militar, ‘cada uma querendo resolver o caso’.

Outro detalhe que, segundo o delegado, pode comprometer a eficácia da nova força policial, é a falta de vagas no sistema penitenciário.
 
– Hoje, fora a Penitenciária Nelson Hungria (em Contagem), não temos locais adequados para colocar criminosos profissionais. Se os bandidos do Comando Vermelho que tentaram assaltar o Banco do Brasil, em Ouro Preto, ficassem na cadeia local, seriam resgatados no mesmo dia – disse.

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