Milosevic quer líderes da Otan em seu julgamento

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 18:20, por: cdb

Um dos advogados do ex-presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, disse que ele pretende chamar líderes de países da Organização do Atlântico Norte (Otan) para testemunhar em seu julgamento. O grupo, de 35 pessoas, incluiria nomes como o do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e do ex-presidente americano, Bill Clinton.

Milosevic, que governou a Iugoslávia de 1988 a 2000, é acusado de crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra da Bósnia e de Kosovo. Em uma audiência no Tribunal Internacional de Crimes de Guerra em Haia, Milosevic voltou a dizer que o processo movido contra ele tem o objetivo de justificar os ataques da Otan à Sérvia, em 1999.

Essa foi a última audiência do ex-presidente iugoslavo no tribunal antes de seu julgamento, marcado para fevereiro. O motivo principal para a nova audiência era decidir o número de testemunhas que serão ouvidas durante o julgamento – que pode durar um ano. Além dos pedidos de Milosevic, os advogados de acusação também fizeram requisições.

Eles queriam chamar 110 testemunhas, mas o juiz que presidia a sessão, Richard May, disse que só permitiria 90. A acusação também pediu aos juízes para definir se essas testemunhas terão sua proteção e anonimato garantidos. Se isso ocorrer, elas irão testemunhar em sessões fechadas, sem ter que mostrar seus rostos e com a voz distorcida. Mas à medida que o julgamento se aproxima, não está claro se ele ocorrerá como o previsto.

A chefe dos advogados de acusação, Carla del Ponte, apelou contra a decisão do tribunal de fazer dois julgamentos separados para Milosevic: um para eventuais crimes cometidos em Kosovo e outro para os cometidos na Bósnia e na Croácia. Ela diz que com um julgamento único poderia provar que o ex-presidente iugoslavo fazia parte de um grupo criminoso que conspirava para criar um Estado sérvio na ex-Iugoslávia. Nesta quarta-feira, Milosevic apareceu pela quinta vez no tribunal de Haia desde que está preso. Nos seis meses em que esteve detido até agora, ele se recusou a colaborar com o tribunal.