Militares americanos se encontram com rebeldes na Libéria

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Publicado sexta-feira, 8 de agosto de 2003 as 03:51, por: cdb

Uma delegação de militares americanos deverá entrar em contato, nesta sexta-feira, com rebeldes que controlam partes da capital da Libéria, Monróvia.

Os americanos dizem que esperam poder convencer os rebeldes a se retirarem dessas áreas para que os soldados nigerianos – enviados à Libéria pelos países da África Ocidental como parte de uma força de paz – pudessem estender o patrulhamento iniciado na cidade.

Os soldados nigerianos realizaram, na quinta-feira, os primeiros patrulhamentos na capital liberiana desde que chegaram ao país na segunda-feira.

O presidente Charles Taylor afirmou, em uma carta escrita ao Parlamento, que iria deixar o poder na segunda-feira, dia 11 de agosto, mas não disse quando ele sairia do país. Os rebeldes afirmam que só deixarão as áreas que ocupam quando Taylor sair do país.

O correspondente da BBC na cidade, Barnaby Phillips, disse que milhares de pessoas foram às ruas de Monróvia para saudar os soldados nigerianos, durante os primeiros patrulhamentos, gritando ‘Nós queremos paz, chega de guerra’.

Inicialmente, os soldados nigerianos estarão patrulhando a área controlada pelo governo, no sul e no leste da capital liberiana, antes de seguir para as áreas sob controle dos rebeldes.

Cerca de quatro semanas de intensos confrontos em Monróvia foram interrompidos desde a chegada dos cerca de 400 soldados da força de paz.

Enquanto isso, o Parlamento liberiano aprovou, em uma sessão de emergência, os planos do presidente Charles Taylor de renunciar e entregar o cargo ao vice Moses Blah na segunda-feira.

Charles Taylor havia planejado um discurso oficial durante a sessão, mas acabou enviando uma carta de três páginas, na qual fala de uma ‘conspiração internacional’ contra ele.

– Por causa disso, eu, o presidente desta nobre república, não posso mais governar sobre o sofrimento e a humilhação do povo liberiano – afirmou Taylor.

Mais cedo, no entanto, Taylor havia dito em uma entrevista que por causa de preocupações em relação à segurança, ele não iria anunciar publicamente quando ele deixaria o poder e seguiria para a Nigéria, onde deverá receber asilo.

O presidente do segundo maior grupo rebelde liberiano – Model -, Thomas Nimely, disse à BBC que as forças leais a Taylor continuam a atacar a cidade portuária de Buchanan.

Taylor havia dito em outras ocasiões que iria deixar o país e aceitar a oferta de asilo da Nigéria, mas um assessor do governo nigeriano afirmou que o presidente liberiano estaria esperando para que as acusações feitas contra ele pelo tribunal especial de Serra Leoa sejam retiradas.

O tribunal que investiga os dez anos de uma brutal guerra civil na Serra Leoa – com o apoio da ONU – já lançou um mandato de prisão contra Charles Taylor, acusado de ter participação no conflito.

A Libéria já pediu à Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, para que decida pela invalidade do mandato de prisão.

O líder do principal grupo rebelde do país – Lurd -, Sekou Damate Conneh, disse que as acusações devem ser retiradas, se isso fizer com que Taylor deixe o país.