Militantes sauditas optam por ataques individuais

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Publicado terça-feira, 28 de setembro de 2004 as 09:43, por: cdb

Depois de uma série de atentados suicidas espetaculares, os militantes da Arábia Saudita estão agora realizando assassinatos isolados de ocidentais, criando novos problemas para as forças de segurança do maior exportador de petróleo do mundo.

O francês Laurent Barbot foi a vítima mais recente desse tido de ação. Barbot foi atingido por tiros dentro de seu carro quando saía de um supermercado, na noite de domingo, na cidade de Jedá. Segundo a polícia, ninguém testemunhou o crime.

Ele foi o sétimo ocidental morto a tiros nas ruas do país desde o final de maio. A série de assassinatos assusta os estrangeiros tanto quanto os sequestros em massa e os atentados suicidas. Alguns desses trabalhadores ocidentais estão recebendo ofertas de grandes somas em dinheiro apenas para continuar no país árabe.

Quase 90% dos estrangeiros mortos desde maio do ano passado foram vítimas de atentados atribuídos à rede Al Qaeda, comandada por Osama bin Laden. A maior parte das mortes aconteceu em quatro grandes ataques. As autoridades sauditas dizem ter prendido ou matado a maior parte dos responsáveis pelos atentados. Mas o novo estilo de ação é difícil de ser evitado.
– Não sei o que eles podem fazer – disse um diplomata de um país ocidental.

– Eles podem continuar com as operações policiais, mas, além de providenciar guarda-costas armados para as pessoas, não há nada mais que possam fazer para acabar com isso –

Os ocidentais e as forças de segurança sauditas são os principais alvos da campanha da Al Qaeda para expulsar os não-muçulmanos do reino e derrubar a monarquia absolutista aliada do Ocidente.

Diplomatas estimam que entre 10% 15% dos ocidentais, que possuem cargos importantes nos setores bancário e petrolífero, podem ter deixado o país nos últimos meses. A comunidade norte-americana, aconselhada por sua embaixada a partir, pode ter diminuído em 25%.

Segundo os diplomatas, é difícil dizer se os ataques com armas de fogo representam uma mudança de estratégia da parte da Al Qaeda, uma pausa antes da retomada dos grandes atentados ou um sinal de que as operações policiais conseguiram tirar dos militantes a capacidade de realizar tais ataques.

Muitas das vítimas recentes trabalhavam para empresas de segurança contratadas para fornecer material ou treinamento para as forças de segurança da Arábia Saudita. Isso sugeria que as vítimas tinham sido identificadas, seguidas e mortas.

Barbot trabalhava para a empresa Thales, que negocia um sistema de vigilância de fronteira avaliado em bilhões de dólares. Duas semanas atrás, um britânico da empresa Marconi foi morto a tiros em Riad.