Milhares de pessoas se reúnem em Londres contra a guerra

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 23:55, por: cdb

Milhares de pessoas tomaram neste sábado às ruas do centro de Londres para protestar contra a guerra no Iraque.

Segundo a polícia da cidade, cerca de 200 mil pessoas participaram da manifestação. Mas os organizadores da marcha estimam que até 500 mil pessoas podem ter ido ao protesto.

A manifestação, no entanto, foi bem menor do que os protestos realizados no dia 15 de fevereiro na capital britânica, que, segundo a polícia, reuniu 750 mil pessoas, e, de acordo com organizadores, 2 milhões.

Outra grande diferença podia ser sentida no humor das pessoas. Enquanto na manifestação de fevereiro a alternativa de se evitar a guerra parecia possível para muitos manifestantes, desta vez a maioria não acreditava que seria ouvida pelo governo em seu pedido de parar a guerra.

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Mesmo sem acreditar que podem parar o conflito, boa parte dos manifestantes defendeu a realização do protesto.

“Estou aqui para mostrar para Bush (o presidente americano, George W. Bush) e Blair (o primeiro ministro britânico, Tony Blair) que continuamos a não apoiar a guerra”, disse Katherine Allen, uma londrina que levou seu filho de menos de três anos à marcha.

Antes de o conflito no Iraque começar, havia esperança entre membros do governo de Tony Blair de que a população do país passasse a apoiar o envolvimento no conflito – o que de fato tem sido percebido por algumas pesquisas de opinião.

Para alguns manifestantes, porém, essa mudança de opinião não é tão grande como gostaria o governo e é isso que eles pretendiam mostrar.

“Talvez não possamos parar a guerra, mas estamos dizendo aos políticos que eles vão ter que sofrer as conseqüências de suas decisões”, afirmou um senhor britânico que preferiu não dar o seu nome.

A marcha deste sábado foi composta por grupos muito distintos, com britânicos se misturando a estrangeiros de várias nacionalidades.

Um grupo de iranianos, por exemplo, levou para a passeata cartazes pedindo uma solução para o conflito palestino e pedindo o fim da guerra.

Segundo o jovem iraniano Ali Hassam, apesar de seu país já ter enfentando um guerra contra Saddam Hussein, a população do Irã está contra o conflito.

Bandeiras de vários países também podiam ser vistas em meio ao protesto, inclusive do Brasil.

Na opinião do brasileiro Paulo Afonso, que levou sua bandeira para a passeata, mesmo não sendo britânico ele se sentiu na obrigação de participar. “É uma questão de humanidade”, disse ele.

Incidente

De acordo com a polícia, grande parte da marcha transcorreu sem problemas.

Um dos únicos incidentes ocorreu no final do dia, quando um grupo de manifestantes tentou bloquear uma avenida da cidade depois do fim da marcha.

Cerca de cem policiais foram chamados para dispersar a concentração de pessoas e houve confusão. Dez manifestantes acabaram presos.

Um total de 3,5 mil policiais acompanharam a marcha.

Outras manifestações aconteceram também na Alemanha, Grécia, Itália, França e Espanha.

Os protestos organizados na Ásia já chegaram ao fim.

Em Jacarta, a capital da Indonésia, milhares de manifestantes protestaram em frente à embaixada dos Estados Unidos.

Militantes muçulmanos queimaram bandeiras dos Estados Unidos e gritaram slogans antiamericanos.

Em Bangladesh, milhares de pessoas tomaram parte em uma greve organizada como forma de protesto contra a guerra.