Mídia emigrante reúne-se no Rio

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Publicado domingo, 11 de outubro de 2009 as 18:38, por: cdb

O público brasileiro não tem idéia, mas existe uma importante mídia brasileira que merece maior visibilidade.
 
O portal Direto da Redação editado bissemanalmente pelo Eliakim Araújo, em Miami, e que chega aos computadores dos que fazem as leis e mesmo a cabeça no Brasil, é uma expressão viva da mídia emigrante. Alguns jornais online e papel, editados também nos EUA, publicam este Direto da Redação que, durante a semana, é lido por centenas de milhares de emigrantes e de brasileiros da metrópole.
 
Mas nisso, esse portal é uma exceção. A maioria dos portais editados por emigrantes, assim como jornais, revistas, programas de rádio e de tevê e mesmo blogs existem só no exterior para consumo dos emigrantes, circulando entre eles e servindo principalmente para informar as comunidades brasileiras implantadas em diversos países.
 
Embora quase toda essa imprensa da emigração repercuta órgãos brasileiros de informação, o inverso nunca ocorre. E é uma pena porque a grande imprensa brasileira ignora a existência paralela de proprietários, editores, repórteres, redatores e frilas, todos jornalistas da emigração. Nos EUA, onde a imprensa da emigração é mais desenvolvida por reunir o maior número de emigrantes, os jornais editados por emigrantes têm numerosos colunistas, que mereciam ter seus textos publicados no Brasil.
 
Por isso, nada mais justo do que se agrupar, para tornar mais forte, essa mídia brasileira emigrante, numa organização ou associação federada, dando-lhe maior visibilidade para poder participar como a mídia da metrópole dos temas relacionados com o desenvolvimento da profissão, situação do jornalismo e questões deontológicas ligadas à livre expressão.
 
A existência de uma federação da mídia emigrante irá enriquecer a visão do leitor brasileiro, porque poderá informar como se faz jornalismo nos outros países, se o setor está em crise, se o jornal papel ainda é mais forte que o jornal online, se a imagem está matando a leitura, se os jornais gratuitos são credíveis e se ameaçam os jornais pagos, e assim, por diante, com relatos vindos do Japão, Alemanha, França, Portugal, Inglaterra, Bélgica, Austrália, Canadá, Nova Iorque, São Francisco e Miami.
 
Mas para se criar essa federação da mídia emigrante é preciso se dar o pontapé inicial, e é isso que o movimento Estado do Emigrante quer fazer dia 14, no Rio de Janeiro, num encontro paralelo à II Conferência Brasileiros no Mundo, do qual poderá sair um primeiro grupo coordenador. Por isso, para que essa iniciativa germine e se concretize é essencial o apoio da própria mídia emigrante, seja participando do encontro ou divulgando essa iniciativa entre os emigrantes.
 
A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) avaliou o projeto e estará presente, devendo enviar um representante ao encontro, no qual se espera a presença de representantes da mídia emigrante de todos os continentes. As adesões a esse projeto poderão ser feitas no local (Sala de reuniões do Othon Palace, 2º. andar, dia 14, quarta-feira, das 19h45 às 22h00) ou por e-mail a martinsrp@hotmail.com  .
 
A II Conferência sobre emigração, promovida pelo Itamaraty, tratará também no sua agenda oficial da questão da recepção gratuita da TV Brasil pelos emigrantes, igualmente a pedido do movimento Estado do Emigrante. Não está confirmada a presença do ministro Franklin Martins, mas em seu lugar poderá vir Tereza Cruvinel. Atualmente, os emigrantes brasileiros para verem programas brasileiros nas tevês Globo e Record precisam pagar “pedágio”, mesmo com antenas parabólicas próprias. Espera-se que a TV Brasil seja como a RTP , televisão estatal portuguesa, ou France Monde, televisão mantida pelos países da francofonia, cuja recepção é gratuita.
 
A mídia emigrante mantém a cultura brasileira no exterior e a TV Brasil poderá ser o elo de ligação dos emigrantes com o Brasil.