Michelleti não vai retirar tropas que cercam Embaixada do Brasil

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Publicado sábado, 26 de setembro de 2009 as 10:50, por: cdb

O presidente interino de Honduras, Roberto Michelleti, disse que não vai retirar as tropas que cercam a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado o presidente deposto Manuel Zelaya. Segundo ele a decisão de cercar a embaixada apenas atende a um pedido do governo brasileiro.

– Estamos respondendo o pedido de Lula ao governo de Honduras. Que nós iríamos garantir a integridade da embaixada e também a vida de quem está lá dentro. É o que estamos fazendo. Tiramos um pouco de gente lá de dentro, e estamos deixando inteiramente a liberdade de mobilidade. Estamos comprometidos em garantir o acesso à parte de fora da embaixada ao povo e ao governo do Brasil -, afirmou.

Ao ser perguntado se poderia suspender o cerco à embaixada, caso houvesse um pedido do Brasil, Micheletti foi enfático.

– E a segurança dos nossos cidadãos, quem vai fazer? O Brasil vai vir aqui? Primeiro, atendemos o pedido do presidente Lula, depois garantimos a segurança das redondezas -, questionou.

A crise política aberta após o golpe em Honduras voltou à estaca zero, com o presidente deposto Manuel Zelaya na embaixada do Brasil e o governo de facto negando-se a lhe devolver o poder.

Zelaya e o presidente de facto Roberto Micheletti haviam esboçado um diálogo nesta semana, mas essa possibilidade encontrou um obstáculo aparentemente insuperável: a restituição do presidente deposto em 28 de junho.

– Totalmente descartado -, disse Micheletti a jornalistas na noite desta sexta-feira.

– Além disso, ele tem contas pendentes com a lei em nosso país.

Rafael Alegría, líder da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe, disse que as portas do diálogo não estão totalmente fechadas.

– Há certo espírito de diálogo em alguns setores, como a empresa privada e os partidos -, afirmou.

– O problema é que todo mundo quer o diálogo, mas não nos aproximamos de uma solução. A restituição do presidente Zelaya contina sendo o obstáculo.

Micheletti aposta que as eleições presidenciais de novembro permitan virar a página e romper o isolamento do país. Mas os Estados Unidos afirmiram que não aceitarão o resultado de eleições acompanhadas pelo governo de facto.

Os partidários de Zelaya marcharão no sábado em direção à embaixada do Brasil. Zelaya convocou os hondurenhos a aumentar a pressão sobre o governo de facto.

Há sinais de que a pior crise em décadas na América Latina possa se estender, dado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil protegerá Zelaya pelo tempo necessário.