Mexicana Jesica tem morte cerebral após transplantes

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Publicado sábado, 22 de fevereiro de 2003 as 17:45, por: cdb

Os últimos testes feitos em Jesica Santillán, a jovem mexicana vítima de um erro médico e que recebeu na quinta-feira um segundo transplante de coração e pulmões, indicam que seu cérebro já não registra qualquer atividade, informaram hoje, sábado, fontes médicas.

Apesar de o hospital da Universidade Duke, na Carolina do Norte, onde está internada, não ter declarado até o momento de maneira oficial a “morte cerebral” da jovem de 17 anos, tudo aponta que a equipe médica e seus familiares terão que tomar hoje alguma atitude sobre seu futuro.

O porta-voz do centro médico Richard Puff disse que o último electroencefalograma feito na noite de sexta-feira indica claramente que não há atividade cerebral e que não chega sangue a seu cérebro.

Os médicos destacaram que hoje informaram à mãe de Jesica, Magdalena Santillán, que será preciso decidir se os aparelhos que mantém os órgãos de sua filha funcionando devem ser desligados.

A mãe, que é católica, comentou que o futuro de sua filha está “nas mãos de Deus” e não nas suas, por isso não será ela quem irá “desligar as máquinas”.

Sexta-feira, as autoridades médicas informaram que o cérebro da jovem tinha sofrido danos irreversíveis.

As tomografias realizadas a Jesica Santillán ontem revelaram um inchaço e hemorragia do cérebro, mas se resistiram a antecipar um prognóstico.

Durante o dia de hoje estão previstos novos testes para confirmar o diagnóstico.

O quadro médico de Jesica piorou desde 7 de fevereiro, quando a menina foi submetida a um transplante de coração e pulmões de um doador cujo grupo sanguíneo era incompatível com o seu.

Com duas operações em quase duas semanas, as novas complicações se somaram a uma insuficiência renal, por isso também foi submetida a sessões de diálises na Unidade de Cuidados Intensivos onde permanece desde a primeira operação.

Os médicos já haviam advertido sobre as complicações devido ao tempo prolongado que passou conectada aos aparelhos que a mantêm com vida.

Seu caso, que atraiu interesse da imprensa internacional, se converteu em uma verdadeira luta contra o relógio e chamou a atenção sobre a escassez de órgãos doados e os erros médicos ao realizar transplantes.

Devido ao erro cometido pela primeira vez, o centro médico já iniciou diversas medidas para evitar que se repita com outros pacientes.

Jesica nasceu com uma deformação no coração que impedia que seus pulmões enviassem suficiente oxigênio ao sangue.

Sua família, que vivia em Tamazula, perto de Guadalajara, se mudou ilegalmente para os EUA há uns três anos, depois de não encontrar atendimento médico adequado para a menor.