Metroviários dizem que decisão do TRT atenta contra a categoria

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Publicado terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 as 07:42, por: cdb

“Essa decisão do TRT é inaceitável, mais um atentado ao trabalhador”. Foi essa a definição dada por Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), sobre a liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que obriga os metroviários a manterem durante a greve 100% dos serviços em horário de pico e 90% nos demais horários.

Em entrevista ao Vermelho, Wagner Gomes, disse que essa liminar do TRT coloca uma situação que não é possível para a categoria cumprir. “Isso não é greve. Essa decisão atenta diretamente sobre o direito do trabalhador que está previsto na Constituição Federal”, denuncia ele.

O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino de Melo Prazeres Júnior, explicou ao Vermelho que o sindicato irá recorrer para cancelar a liminar do TRT. Ele diz que se for para exigir o número do efetivo e multar a categoria pela paralisação, o Tribunal deverá primeiro multar o Metrô, pois nunca a empresa manteve esse número de trabalhadores para atender a população.

“O que temos é a opinião de tecnocratas que não sabem do que estão falando. Estamos aguardando nova proposta do Metrô, que será apresentada às 14 horas. A categoria mantém sua posição, e se a proposta apresentada não reconhecer o valor dos trabalhadores, a greve se manterá”, ressalta.

Mobilização

Em assembleia realizada na última quinta-feira (23) os metroviários decidiram pela greve a partir da 00 hora do dia 29. Eles reivindicam o cumprimento do pagamento integral da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), acordada com a Companhia do Metropolitano de São Paulo.

De acordo com declaração à imprensa, o secretário-geral do Sindicato dos Metroviários, Paulo Pasin, disse que o Metrô quer reduzir 7,21% da PR dos trabalhadores com base em uma pesquisa de qualidade feita com os usuários. “A proposta do Metrô é reduzir os 7,21% do total pago ao trabalhador. Na última assembleia a categoria apresentou uma contraproposta, que prevê que o desconto seja abatido apenas dos 40% do salário de cada funcionário, e não do valor fixo.

Em nota, o dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB – São Paulo), Flávio Montesinos Godoi, afirmou que a categoria não pode ser responsabilizada pelo sufoco refletido na pesquisa de satisfação dos usuários.

“Agindo dessa forma, o Metrô está cometendo uma grande injustiça. Não está dando o devido valor a essa categoria que se empenha cotidianamente para tentar manter o elevado padrão de qualidade, pelo qual o sistema sempre foi reconhecido. Se há problemas, os responsáveis são o governo estadual e o Metrô, pela negligência e a histórica falta de investimento na ampliação do sistema”, alerta Godoi.

Próximos passos

Wagner Gomes informou que será realizada, nesta terça-feira (28), às 19 horas, no sindicato dos Metroviários mais uma assembleia, na qual os trabalhadores irão avaliar a proposta do Metrô. Caso não seja aprovada, prometem manter o indicativo de greve a partir do dia 29.

Joanne Motas, da redação em São Paulo

 

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