Meteorologistas querem ampliar acesso a informações sobre tempestades

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 15 de setembro de 2009 as 13:00, por: cdb

Meteorologistas apostam na utilização de um software livre de análise de dados de radares para ampliar o acesso a informações sobre chuvas e facilitar a previsão de tempestades severas, como as que atingiram Santa Catarina na última semana. Conhecido com Titan, o programa permite a identificação de tempestades e informações sobre seu deslocamento.

Especialistas brasileiros e estrangeiros estão reunidos em Belém (PA) para aperfeiçoar os conhecimentos sobre a ferramenta e ensinar representantes de universidades e centros de pesquisa de todo o país a utilizar o sistema.

– A ideia é socializar os dados dos radares meteorológicos, que permitem previsão de curto prazo e com mais precisão que os satélites –,  afirma a coordenadora operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) em Belém, Jaci Saraiva.

O Sipam tem 11 radares meteorológicos que cobrem toda a Amazônia e fornecem dados específicos para a região. Antes do software livre, a análise dos dados era feita somente por meio de um programa pago, com licenças de R$ 150 mil, segundo Jaci Saraiva.

– Não adianta disponibilizar o dado e as pessoas não terem acesso a ele. Com mais acesso, aumenta a massa crítica e a compreensão sobre monitoramento e previsão de curto prazo –, explica a coordenadora.

De acordo com a pesquisadora Ana Maria Held, diretora do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a previsão imediata permite conhecer a rota de uma tempestade com até duas horas de antecedência, um “tempo precioso” para profissionais de defesa civil, na opinião da especialista.

– O radar monitora o tempo presente, é possível ver exatamente se está chovendo e onde está chovendo, ter ideia do deslocamento das tempestades severas e que regiões elas irão atingir –, acrescenta.

Com a ampliação dos usuários do software Titan, a expectativa é de que mais grupos no país tenham acesso aos dados e aumentem a rede de alertas para evitar prejuízos causados por tempestades. – São informações de extrema valia, de muito benefício para a sociedade –, diz Ana Maria Held.

O encontro de meteorologistas em Belém termina nesta sexta-feira.