Mesmo com escutas Otan manterá acordos de segurança

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Publicado quarta-feira, 19 de março de 2003 as 15:41, por: cdb

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) afirmou que não pretende invalidar nem rever seus acordos de segurança com a União Européia devido ao caso das escutas telefônicas revelado nesta quarta-feira, e ressaltou que confia plenamente nos compromissos assumidos pelo bloco europeu com a Aliança.

“O fato de que alguém tenha um problema não quer dizer que os acordos de segurança tenham que ser invalidados. Temos plena confiança (na UE). Caso contrário, não os teríamos assinado”, ressaltou um representante da Otan.

“Assinamos um acordo com a UE em matéria de segurança porque efetuamos os controles e ajustes necessários. Temos confiança. A segurança é uma questão difícil”, acrescentou o representante.

Na sexta-feira (14) passada, a Otan e a UE assinaram em Atenas um acordo de segurança para a troca de informações militares secretas, uma das peças-chave do novo panorama de relações permanentes entre estas duas instituições, conhecido como “Berlim Adicional”.

Esses acordos permitem tornar efetiva a Política Européia de Segurança e Defesa (Pesd), já que garante à UE o acesso automático e permanente aos recursos e meios de planejamento da Otan.

“Obviamente, a Otan tem mais experiência em matéria de segurança (que a UE)”, ressaltou nesta quarta-feira um responsável aliado, ao lhe perguntarem sobre o caso das escutas.

Nesta quarta-feira, foi divulgado em Bruxelas que Espanha, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Áustria foram advertidos há alguns dias pelos serviços de segurança do Conselho da UE sobre a existência de “grampos” em algumas linhas telefônicas de suas delegações no interior do edifício Justus Lipsius. As escutas foram descobertas no último dia 28.

“Não precisamos fazer controles de segurança na Otan quando outros têm problemas deste tipo”, disseram nesta quarta-feira fontes da Aliança, que, no entanto, frisaram: “Estamos muito conscientes da necessidade de se continuar supervisionando nossa própria segurança”.

“Vimos os relatórios sobre o caso na UE, mas não precisamos de episódios desse tipo para controlar nossa própria segurança. Trata-se de um processo em constante revisão”, disseram as fontes.