Mercado de tecnologia se ressente do apagão

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Publicado terça-feira, 14 de agosto de 2001 as 18:46, por: cdb

Muito tem se falado dos efeitos do apagão democraticamente proporcionado ao País pelo governo Fernando Henrique. Retrocesso na economia, paralização de investimentos, demissões em grande número nos mais diversos setores da indústria são alguns dos efeitos visíveis na ponta do iceberg deste caos energético no qual o Brasil está mergulahndo graças ao “planejamento estratégico” do governo e sua “muito bem pensada” política de privatizações.
Porém, apesar de muito falatório e muitas tentativas de análise por parte dos mais diversos tipos de experts, ainda não se tinha qualquer pesquisa mais fundamentada dos impactos em quaisquer dos segmentos de atividade econômica no País.
Mas, pelo menos no setor de tecnologia da informação esse quadro está mudando. Acaba de ser divulgada a primeira pesquisa com informações concretas sobre os impactos da crise energética e o que se pode esperar para este ano.
O responsável pela iniciativa é o IDC – International Data Group, um dos principais institutos de pesquisa do mercado mundial de tecnologia – que está publicando um boletim para seus clientes onde apresenta sua visão sobre a crise energética e suas consequências para o setor de tecnologia e outros segmentos que compram estes produtos e serviços.
De acordo com o gerente de pesquisa das áreas de Internet e TI da IDC Brasil, Mauro Peres, houve um descompasso enorme entre o quadro apresentado pelo primeiro quadrimestre deste ano – onde havia uma previsão de investimentos externos de US$ 25 bilhões, um crescimento de 4% do PIB e uma meta de inflação anual em torno de 4,5% – e o cenário que vem se desenvolvendo a partir de maio deste ano, com cortes de 15% a 25% no consumo de eletricidade no setor industrial.
O resultado dessa equação mal resolvida pelo governo foi uma queda, até o momento, de 30% nas vendas de PCs, monitores, servidores e impressoras em relação ao mês de abril imediatamente anterior. Isso, sem falar nas quedas de faturamento dos distribuidores de bens de TI (principalmente nas empresas com atuação somente no estado de São Paulo) e na paralização de boa parte dos investimentos em tecnologia programados pelas empresas, com efeitos negativos profundos em segmentos como o de software aplicativo, onde grandes projetos foram simplesmente cancelados.
E esse quadro ainda poderá piorar um pouco mais, especialmente em áreas como treinamento e serviços de infra-estrutura, além do segmento das chamadas empresas pontocom, que acusaram a diminuição de visitas em seus sites e conseqüentemente quedas nas receitas de publicidade on-line (que dependem das estatísticas de pageviews).
Ou seja, o governo finalmente conseguiu um setor que havia conseguido sobreviver a várias das últimas crises da economia brasileira, até por ser um setor fundamental como fornecedor de ferramentas para maior eficiência e redução de custos dentro das empresas. Como isso vai ficar? É muito difícil dizer, já que esta equação depende muito do que for feito para diminuir a crise energética nos próximos meses. Mas, quem (sobre)viver verá….