Mercado de PCs registra bom desempenho no primeiro semestre

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Publicado sexta-feira, 24 de agosto de 2001 as 18:37, por: cdb

Uma boa notícia para os pessimistas de plantão. Pelo menos é o que sinaliza o estudo recente da IDC Brasil sobre o comportamento do mercado nacional de PCs no segundo trimestre deste ano, que apresentou um resultado positivo quando comparado com o segundo trimestre de 2000. No total, a indústria vendeu 786.012 computadores pessoais, o que representou um crescimento de 4% sobre o mesmo período do ano passado.

De acordo com Bruno Rossi, o analista responsável pelo estudo, pode-se observar uma queda de 3% em relação ao número de micros vendidas, quando se verifica a performance do mercado em relação ao primeiro trimestre deste ano. Por trás desse desempenho, encontram-se as crises cambial e energética e a alta da taxa básica de juros, que são fatores importantes nos resultados do varejo.

Segundo a pesquisa, um dos destaques do mercado foi o bom desempenho do segmento corporativo, em especial, o das grandes e médias empresas. Estes dois setores, junto com o governo, foram os que menos sofreram os efeitos negativos dos últimos acontecimentos no País.

No entanto, o estudo mostra que o canal de varejo foi o mais abalado com a queda da demanda por PCs. No período, sua participação total no mercado caiu 5% na média, passando a representar pouco mais de 15% das vendas totais. Seu principal cliente – o consumidor doméstico – adiou suas compras diante da ameaça de cortes de energia, pagamentos de multas sobre consumo excessivo e o aumento das tarifas. Além disso, no segundo trimestre, o custo do crédito ao consumidor acabou ficando mais caro devido ao aumento das taxas de juros básicos, que influenciam diretamente o custo do crédito no varejo.

Por outro lado, a IDC Brasil verificou que as grandes empresas foram as menos afetadas pela crise energética e o aumento do dólar. Estas empresas tiveram como evitar o repasse em seus preços pelos aumentos da moeda americana, firmaram contratos capazes de protegê-las das desvalorizações da moeda brasileira e conseguiram diluir seus custos nas suas diversas linhas de produtos. Neste segmento, a competição entre os fabricantes de PCs foi extremamente acirrada, resultando, muitas vezes, em vendas com margens negativas.

Já no mercado de notebooks – neste trimestre – houve um crescimento de 3% sobre o período imediatamente anterior. Uma das constatações da pesquisa é que, no Brasil, a demanda por notebooks continua crescendo, mesmo considerando-se os problemas que atingiram o mercado de PCs no geral. “Na verdade, notebooks sempre foram vendidos, em sua grande maioria, ao segmento corporativo de grandes e médias empresas, ou seja, segmentos que foram menos afetados nos últimos meses. Além disso, os consumidores estão percebendo vantagens entre notebooks e desktops no que se refere a consumo de energia, o que vem servindo como argumento para vendas entre os canais corporativos”, explica Rossi.

A pesquisa aponta também para uma tendência bastante concreta de que – diante do atual cenário de incertezas em relação à economia brasileira e mundial – o mercado de PCs ainda vai sofrer com a desaceleração da demanda por novos micros, principalmente, no segmento doméstico. No entanto, já existem sinais de uma melhora no volume consumido já que, em junho e julho, houve uma recuperação das compras no segmento das pequenas empresas e manutenção do consumo entre as grandes e médias.

Porém, o segmento doméstico deve levar um tempo maior para recuperar-se. Rossi adianta que, com a volta das chuvas em meados de outubro e a provável redução da taxa de juros para o consumidor final (conforme a percepção de risco sobre a economia brasileira reverta-se mais positiva e o câmbio mais estável), o canal varejo irá reagir positivamente, com o aumento das vendas para o segmento doméstico.

Para o ano de 2001, a IDC Brasil projeta para o mercado brasileiro de PCs um crescimento de 14,8% em relação ao ano passado. Ou seja, deverão ser vendidos 3,5 milhões de PCs até o final do ano.