Mercado brasileiro permanece cauteloso

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 09:24, por: cdb

A duração da guerra no Iraque e os impactos do conflito sobre a economia global entraram no topo das preocupações de investidores nesta quinta-feira. Cautela e poucos negócios deram o tom aos mercados brasileiros, que começaram o dia pessimistas mas conseguiram melhorar o humor na parte da tarde.

De olhos grudados no noticiário internacional, a Bovespa e o câmbio oscilaram conforme as indicações vindas do Golfo Pérsico: mais animados conforme avançava a frente norte-americana sobre Bagdá, mais apreensivos quando surgiam notícias de que a guerra poderia ser longa ou de que poços de petróleo teriam sido incendiados.

“O que vai ter impacto no mercado mesmo é se as expectativas não forem confirmadas em termos de duração da guerra”, avaliou o diretor da corretora Socopa, Gilberto de Souza Biojone.

Ao anunciar o início da ofensiva militar contra o Iraque, no fim da noite de quarta-feira, o presidente George W. Bush afirmou que os Estados Unidos vão usar força total nos ataques, mas alertou que a guerra pode não ser tão curta quanto alguns esperam.

A Bolsa de Valores de São Paulo passou toda a manhã no terreno negativo, mas conseguiu recuperar-se no início da tarde e manteve a tendência positiva até o encerramento dos negócios: o Ibovespa teve alta de 1,5 por cento, aos 11.169 pontos, segundo dados preliminares.
No mercado de câmbio, no entanto, a cautela falou mais alto e o dólar fechou em leve alta de 0,23 por cento, a 3,478 reais. Em meio à fraca liquidez, investidores preferiram esperar que o cenário de guerra se tornasse mais claro antes de tomar posições.

Ainda assim, operadores ressaltaram que o fato de o dólar ter se mantido abaixo de 3,50 reais é um sinal positivo, sobretudo em vista da queda de mais de 2,5 por cento acumulada pela divisa estrangeira desde o início do mês.

Analistas acrescentaram que a instabilidade externa deve ser potencializada no mercado brasileiro devido ao temor de que uma eventual piora da economia mundial resulte em elevação do juro básico do país.

“O fato de o BC ter colocado viés de alta ontem deixou o mercado brasileiro mais sensível”, afirmou Aquiles Mosca, economista da ABN-Amro Asset Management.

As bombas que atingiram diversos prédios em Bagdá durante a tarde animaram os mercados financeiros no mundo todo, depois que a intensidade dos primeiros ataques ficou aquém da que os analistas consideram necessária para garantir uma guerra rápida.

A recuperação dos mercados começou logo no início da tarde, quando surgiram rumores de que o presidente iraquiano, Saddam Hussein, teria sido ferido nos ataques durante a madrugada.

As informações não foram confirmadas, mas o otimismo continuou com as notícias de que a frente liderada pelos Estados Unidos avançava sobre Bagdá, atingindo edifícios do governo.

“Estamos de olho no noticiário de guerra, na TV, nas agências e também nas bolsas lá de fora, como elas reagem à guerra, porque nosso mercado trabalha olhando muito para o mercado lá fora”, afirmou Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy.

No final da tarde, o índice Dow Jones, que reúne as ações mais líquidas da Bolsa de Nova York, operava em leve alta de 0,31 por cento, depois de oscilar entre uma queda de 1,62 por cento, na mínima do dia, e uma alta de 0,64 por cento, na máxima.

Após semanas de forte valorização, os títulos da dívida externa brasileira mantinham-se praticamente estáveis no fim do dia.

Os C-Bonds, principais bônus brasileiros negociados no exterior, registravam estabilidade, a 77,125 por cento do valor de face.

No entanto, o risco-país medido pelo Banco JP Morgan recuava 10 pontos, para 1.076 pontos-básicos sobre os títulos do Tesouro norte-americano.