Mentor de atentado com gás sarin será executado

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Publicado quarta-feira, 29 de outubro de 2003 as 10:52, por: cdb

A Justiça japonesa condenou à pena de morte um ex-alto líder da seita Verdade Suprema por seu envolvimento no assassinato de 24 pessoas, incluindo o ataque com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995. Nakagawa, de 41 anos, foi acusado de 11 crimes, entre eles conspiração para o assassinato de 24 pessoas em cinco casos distintos ocorridos entre 1989 e 1995. O ex-membro da seita, liderada pelo guru Shoko Asahara, também foi acusado de estar envolvido nos ataques com gás de 27 de junho de 1994 em apartamentos da província de Nagano, em que morreram sete pessoas.

Os advogados de defesa argumentaram que o acusado desconhecia que o gás nervoso seria empregado nos ataques de 20 de março de 1995 no metrô de Tóquio, e que não tinha intenções criminais, mas se limitou a acatar ordens. Quanto ao caso de Nagano, Nakagawa alega que apenas assistiu aos fatos, mas não foi o principal responsável.

Sobre o assassinato em 4 de novembro de 1989 de Tsutsumi Sakamoto, um advogado que ajudava as vítimas da seita, os advogados alegaram que existem dúvidas de que Nakagawa estava consciente dos fatos já que naquele momento estava sob controle mental do guru Asahara, ao qual o grupo atribuía poderes sobrenaturais. Nakagawa se declarou culpado do assassinato do advogado Sakamoto, de sua esposa e filho. O condenado também foi sentenciado pelas acusações de tentativa de assassinato com os gases cianureto, VX e sarin, além de uma carta-bomba.

Nakagawa entrou na seita Verdade Suprema pouco após graduar-se na Faculdade de Medicina de Kioto, quando trabalhava de interino em um hospital de Osaka, ao oeste do Japão. O “doutor Nakayama” é a décima pessoa condenada à pena capital em relação com a seita, que ficou conhecida no mundo todo com os atentados com gás sarin no metrô de Tóquio, nos quais morreram 12 pessoas e mais de 4 mil foram afetadas. O incidente paralisou o sistema de metrô de Tóquio nas horas de ponta da manhã de 20 de março de 1995 e passou para a história como o maior crime da história recente do Japão.

A seita adotou o nome Aleph em 2000 e está submetida à vigilância por ser considerada ainda capaz de cometer “assassinatos em massa indiscriminados”.