Mentir é elemento fundamental na política moderna, diz cientista

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Publicado terça-feira, 20 de maio de 2003 as 10:17, por: cdb

Depois de um estudo exaustivo, um pesquisador britânico, Glen Newey, da Universidade de Strathclyde, anunciou ter concluído que mentir é uma parte importante da política na democracia moderna.

– Os políticos precisam ser mais honestos em relação ao hábito de mentir – declarou Newey, que é cientista político, ao jornal Observer, de Londres.

De acordo com Newey, cujas descobertas foram publicadas pelo Conselho de Pequisa Econômica e Social, que recebe fundos do governo, os eleitores esperam que os políticos mintam em algumas circunstâncias, e, às vezes, até exigem que isso ocorra.

– A política deveria ser vista menos como um exercício de produção de declarações verídicas e mais como um jogo de poker – acrescentou
– E existe uma expectativa, do jogador de poker, de que tente enganar como parte do jogo.

Para Newey, mentiras contadas por políticos podem, ocasionalmente, ser inteiramente justificadas, como no caso de a segurança nacional estar em risco.

E o público até espera ter o “direito de ser enganado” em casos nos quais não espera que lhe seja contada toda a verdade, como durante uma guerra.

Mas a principal causa da mentira é um crescente controle do público sobre áreas que o governo preferiria não discutir – se os eleitores fizessem menos perguntas, os políticos lhes contariam menos mentiras.

Bill Clinton mentiu, notoriamente, sobre seu caso com Monica Lewinsky.

Já presidentes anteriores dos Estados Unidos jamais mentiram sobre suas aventuras fora do casamento porque ninguém lhes perguntou sobre isso.

– Quando jornalistas ou parlamentares começam a investigar áreas que o governo quer manter em segredo, você estará entrando mais e mais no território da mentira – disse Newey.