Menem quer debate com Kirchner

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Publicado quarta-feira, 30 de abril de 2003 as 09:40, por: cdb

Os candidatos à Presidência da Argentina começarão hoje as negociações para formar as alianças de apoio ao segundo turno das eleições, marcado para 18 de maio. Carlos Menem desafiou Néstor Kirchner a um debate público, algo inusitado nas eleições da Argentina. Nesta quarta-feira à noite, ambos serão entrevistados por um dos programas de televisão mais respeitados da televisão, o Dos Voces, da emissora TN-Todo Notícias. As entrevistas serão separadas, mas darão uma mostra da performance de ambos nesta etapa decisiva da campanha.

Menem sabe que sua vitória no primeiro turno foi muito apertada e que as pesquisas de opinião colocam seu adversário em com uma vantagem de 30 a 50 pontos porcentuais sobre ele. Por isso, não quer perder tempo e vai hoje à província de San Luis pedir apoio de Adolfo Rodríguez Saá, que obteve 14% dos votos no primeiro turno. Além disso, Menem quer anunciar amanhã, 1º de maio, os nomes de seu ministério, que teria a participação de “caras novas”, uma estratégia para consquistar os eleitores ávidos por renovação.

Néstor Kirchner, que não parecia ter se esforçado muito no primeiro turno para se aproximar dos empresários – já que estes preferiam Ricardo López Murphy ou Carlos Menem – agora se movimenta nesta direção. A Associação de Empresários Argentinos (AEA), presidida por Luis Pagani, dono da Arcor, uma das maiores empresas do país, receberá Kirchner para conhecer suas propostas de priorizar a indústria nacional. Analistas avaliam que, com o modelo econômico de Kirchner, privilegiando as exportações em detrimento das importações e estimulando a produção local, os empresários argentinos podem deixar Menem de lado.

Um empresário importante, que preferiu o anonimato, explicou que, embora a maioria estivesse apoiando Carlos Menem, muitos querem a continuidade da atual política econômica do ministro da Economia, Roberto Lavagna (que continuará no cargo num eventual governo Kirchner), porque este colocou a produção local no centro do cenário novamente.

Os empresários querem ouvir também de Kirchner qual será a sua posição para dar segurança jurídica especialmente aos investimentos estrangeiros no país. Se Kirchner passar pela prova com a AEA, poderá obter uma boa nota também com a União Indústrial Argentina (UIA) e com a Câmara de Comércio, entidades que também se simpatizavam com Menem.