Menem denuncia fraude no primeiro turno

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Publicado terça-feira, 6 de maio de 2003 as 08:45, por: cdb

Os procuradores do candidato à presidência da Argentina, Carlos Menem, darão início nesta terça-feira ao processo de acusações de fraude nas eleições presidenciais. Menem denuncia uma série de irregularidades no primeiro turno das eleições, realizado em 27 de abril passado, segundo afirmou o advogado Luis Giacosa, encaregado das apresentações judiciais eleitorais da Frente pela Lealdade, a facção menemista do Partido Justicialista.

O ex-presidente alega o uso de documentos de identidade duplicados na Grande Buenos Aires, onde foi derrotado por seu adversário Néstor Kirchner, candidato apoiado pelo presidente Eduardo Duhalde, cujo maior potencial eleitoral encontra-se na referida região. A denúncia baseia-se em seis casos de documentos de identidade duplicados revelados por um programa de televisão, habilitados para a votação.

O programa mostrou que os documentos de identidade podem ser comprados e utilizados por algum candidato para obter mais votos. Giascosa afirmou que solicitará à Justiça Eleitoral que tome medidas para evitar possíveis irregularidades no segundo turno, no dia 18 de maio próximo. Neste sentido, disse que pedirá patrulhas em algumas mesas de votação em locais considerados “duhaldistas” para filmar e determinar se há eleitores em grupos e com envelopes fechados com votos em favor de Kirchner.

Às vésperas das eleições, Carlos Menem e o derrotado Adolfo Rodríguez Saá, também do PJ, denunciaram que haveria fraude eleitoral e iniciaram um longo debate sobre o assunto. Porém, os organismos internacionais e fiscais encarregados de vigiar o processo eleitoral não denunciaram nenhum movimento fraudulento nas eleições.

No entanto, o fantasma da fraude tem sido lembrado nestas eleições e, segundo os analistas, o candidato que “perder usará todos os recursos possíveis para impugnar o resultado da apuração dos votos, mesmo que seja o recurso da denúncia de fraude”, como comentou à Agência Estado, o analista Rosendo Fraga, do Centro de Estudios Nueva Mayoria.