Meirelles: “Não há possibilidade de modelo diferente”

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 09:58, por: cdb

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, rechaçou novamente as sugestões de que o governo Lula poderá implementar uma política econômica mais heterodoxa no futuro. “Não há nenhuma possibilidade em discussão de modelo diferente”, disse Meirelles ao jornal Financial Times. “Há apenas o plano do presidente Lula e isso já foi afirmado bem claramente.”

O diário britânico dedica nesta segunda-feira uma reportagem a Meirelles, afirmando que o “ex-banqueiro de Wall Street assume um papel central na recuperação do Brasil”.

Segundo o FT, a decisão do governo de escolher Meirelles para assumir o comando do BC há três meses gerou ceticismo em setores do mercado financeiro, mas o comportamento da economia brasileira desde o início do ano mostra que a aposta de Meirelles está dando resultados positivos.

“Reassegurados pela surpreendente promoção de austeridade econômica feita pelo presidente Lula, os mercados financeiros do Brasil têm registrado fortes recuperações desde outubro passado, quando o País era amplamente visto rumando a um default (não pagamento) da dívida”, disse o jornal. “Enquanto os mercados ao redor do mundo têm despencado diante da ameaça de guerra, a dívida e moeda brasileiras se moveram exatamente na direção oposta”.

O FT salienta que o ex- presidente do BankBoston ainda é visto com desconfiança pelas alas mais radicais do Partido dos Trabalhadores.

Em entrevista ao jornal, Meirelles disse que a exposição pública “acrescenta pressão” ao cargo. “Tudo o que digo é notícia importante. Não era assim em Boston e Nova York”, disse o presidente do BC. Meirelles reiterou o seu otimismo em relação às perspectivas da economia brasileira. “Muitos analistas esperavam que um governo norteado pelo social seria populista e não teria responsabilidade fiscal”, disse. Em vez disso, eles têm visto “um programa de austeridade fiscal”.

Ao comentar as medidas austeras adotadas pelo governo, como a elevação dos juros, o jornal observou que Meirelles não é o primeiro presidente do Banco Central brasileiro a “prometer dias mais iluminados após duras medidas que forçam o aperto do cinto”.