Medo da guerra faz dólar fechar no maior nível do ano

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Publicado quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003 as 18:02, por: cdb

O dólar encerrou a quinta-feira em seu maior valor em dois meses, cotado a R$ 3,665 para venda e R$ 3,66 para compra, uma alta de 1,66%. A moeda norte-americana não custava tão caro desde que fechou a R$ 3,74 em 13 de dezembro.Enquanto isso, o risco Brasil sobe 1,89% para 1.347 pontos.

A motivação para os investidores voltarem a comprar dólares é o temor de guerra no Iraque, cada vez mais forte. Os últimos dias foram de poucos negócios, com a maioria esperando fora do mercado para ter um cenário mais definido sobre a guerra.

Hoje, eles voltaram ao mercado para comprara dólares e pagar contas no exterior antes que o conflito estoure. Entretanto, as operações estiveram concentradas no mercado de dólar à vista – o chamado “spot” – em detrimento ao mercado futuro, o que indica que o dinheiro não é para “hedge”(proteção cambial), mas para pagar contas.

Ainda assim, a eclosão de uma guerra não significa necessariamente que a moeda avance para níveis ainda mais altos. Segundo Marco Antonio Azevedo, gerente de câmbio do Banco Brascan, o que está embutido na atual cotação é apenas o medo da guerra.

“Uma vez começada a guerra, teremos uma noção mais clara sobre quanto tempo ela demoraria e qual o tamanho dos prejuízos. Se essa noção for de uma guerra mais longa, o dólar ainda pode subir mais, mas se for de uma guerra mais rápida, a cotação pode voltar”, afirmou.

Amanhã, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne para o chefe de inspeção de armas do organismo, Hans Blix, apresentar suas conclusões sobre o desarmamento do Iraque após visita ao país no último fim de semana.

França, Alemanha, Rússia e China firmaram uma aliança antiguerra e prometem vetar uma ação militar conjunta no Conselho. Os EUA,que apoiados pelo Reino Unido acusam o Iraque de manter armas de destruição em massa e defendem a ação militar como única solução para o desarmamento, se comprometeram a aguardar uma segunda resolução da ONU sobre o país, mas ao mesmo tempo deixam claro que agirão mesmo sem respaldo internacional.

Linhas

O dólar chegou a reduzir a alta e esboçar uma recuperação logo após o diretor de política monetária do banco central, Luiz Fernando Figueiredo, confirmar que as linhas para exportação leiloadas ao mercado no ano passado para melhorar o crédito das empresas e que vencem entre fevereiro e abril, num total aproximado de US$ 1,5 bilhão, serão recompradas em reais, e não em dólares, como se cogitou.

A notícia melhora a expectativa de liquidez em moeda estrangeira do mercado e pode refletir na cotação.

“Acho que daqui para frente, até a guerra, o dólar deve registrar quedas pontuais nos dias de vencimentos dessas linhas”, afirmou Azevedo.
O primeiro vencimento, de US$ 238 milhões, está marcado para o dia 21, sexta-feira da semana que vem.