Médicas do Antonio Pedro são denunciadas por homicídio culposo

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Publicado terça-feira, 20 de abril de 2010 as 10:22, por: cdb

O Promotor de Justiça Cláudio Calo Sousa, da 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 2ª Central de Inquéritos, ofereceu denúncia por crime de homicídio culposo contra quatro médicas da equipe de obstetrícia do Hospital Universitário Antonio Pedro, principal unidade pública de saúde de Niterói.

Por agirem de forma negligente e imperita, elas teriam colaborado para a morte de uma criança recém-nascida em julho de 2005. Cópia da denúncia foi encaminhada ao Cremerj para apuração disciplinar.

A denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro inclui as médicas Almira Robalinho Soares da Rocha (responsável pela equipe de plantão do hospital), Tatiana Soares da Rocha, Joyce Mello de Oliveira e Renata Salgado Espíndola Puppin. Elas estavam de plantão entre os dias 21 e 22 de julho de 2005, quando ocorreram os fatos investigados.

No dia 21, de madrugada, Maira Cori Oliveira Viana, de 19 anos, chegou ao hospital em trabalho de parto. No primeiro exame clínico, às 4h40m, ela reclamou de fortes dores e pediu que fosse submetida a uma cesariana. O pedido foi negado.

A gestante ficou em trabalho de parto por 19 horas e nove minutos, tendo sido examinada apenas dez vezes, quando a orientação do Ministério da Saúde é para que, nas gestações de baixo risco, as avaliações ocorram a cada 60 minutos na fase latente do trabalho de parto e no início da fase ativa.

Os intervalos devem ser reduzidos para 30 minutos conforme venha a progredir a fase ativa do trabalho de parto. No último exame, realizado às 22h30 do dia 21, a equipe médica decidiu pela cesariana. O bebê, do sexo feminino, nasceu às 23h49m, com várias complicações de saúde, e morreu às 0h35m.

– Os poucos exames médicos realizados na paciente, durante o extenso trabalho de parto, com longos intervalos, contribuíram para que a equipe médica não avaliasse com precisão e rapidamente o sofrimento fetal agudo, ocorrido durante o trabalho de parto. A conjunção de negligência e imperícia concorreu para a morte da recém nascida – afirma o Promotor.