MEC quer ampliar vagas noturnas nas universidades

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Publicado terça-feira, 7 de setembro de 2004 as 10:17, por: cdb

Dados do Censo da Educação Superior do Ministério da Educação mostram que, de 1995 a 2002, só 31% das novas vagas criadas nas instituições públicas de ensino superior foram em cursos noturnos. O MEC estima que a rede pública poderia elevar em 298 mil o número de alunos matriculados nos cursos noturnos em quatro anos.

De acordo com a Folha de S. Paulo, um documento que será divulgado pelo MEC, assinado por Eliezer Pacheco e Dilvo Ristoff, presidente e diretor de Estatísticas e Avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais (Inep), mostra a intenção de que novas vagas noturnas sejam criadas nos próximos anos.

– Se as instituições públicas abrigam, hoje, 675 mil alunos nos seus cursos diurnos, não há por que imaginar que tal número não possa ser semelhante ao dos cursos noturnos. A simples equivalência de utilização do espaço e das instalações existentes nos dois turnos poderia significar, em quatro anos, um aumento nada desprezível de 298 mil matrículas, ou algo em torno de 75 mil vagas por ano – afirmam Pacheco e Ristoff.

Do total de 1,1 milhão de alunos estudando em instituições públicas de ensino superior, 376 mil (36%) estudam à noite e 675 mil (64%), de dia. Na rede privada, a proporção é inversa: dos 2,4 milhões de alunos, 1,6 milhão (67%) estudam à noite.

– O trabalhador acaba empurrado para a rede privada, e os dados do MEC mostram que é justamente nas regiões mais pobres do Brasil que a proporção de vagas noturnas oferecidas pela rede federal é menor – explica Pacheco.

O secretário de educação superior do MEC, Nelson Maculan Filho, afirma que a pasta conseguiu aumentar para 2005 o orçamento para custeio e manutenção das federais em 34% e está tentando, com o Ministério do Planejamento, a autorização para contratação por concurso de cerca de cinco mil professores.

– Sabemos que é preciso ter mais recursos para manter a estrutura da universidade aberta à noite. Essas medidas vão facilitar que as universidades públicas ofereçam mais vagas em cursos noturnos. No entanto, nem todo curso pode ser oferecido à noite – afirma.