McCain tenta conquistar votos mais à direita

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Publicado quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 as 12:45, por: cdb

Pré-candidato republicano à Casa Branca, John McCain – que lidera a disputa por ampla margem – tenta assegurar o posto com um esforço de mão dupla: Seduzir os conservadores ao garantir que é um deles e, simultaneamente, não perder apoio entre os moderados, motor principal de sua candidatura. O senador pelo Estado do Arizona, que conquistou importantes vitórias na Superterça desta semana, tem deixado claro que seu objetivo principal consiste em mobilizar a base republicana, mas que nunca conseguirá aplacar os seus adversários mais direitistas.

– Acho que meu passado indica que sou um conservador sólido – afirmou McCain, ressaltando, porém, que “temos diferenças (com alguns membros do partido) a respeito de questões específicas”.

O pré-candidato é hoje o favorito para levar a nomeação republicana. Seu principal assessor, Charlie Black, disse acreditar ser “praticamente impossível” para o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney ou para o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee desbancá-lo nas futuras prévias estaduais. McCain, no entanto, ainda se depara com alguns embates difíceis contra Romney, que vem se aproveitando da onda conservadora de insatisfação contra o senador.

Ele sempre foi visto com desconfiança pela ala mais à direita do partido e, tendo saltado à frente na corrida, viu os conservadores lançarem-se furiosos contra sua campanha. Os apresentadores de programas direitistas de rádio, que o criticam por ser supostamente moderado demais quanto à imigração ilegal e por ter votado contra o corte de impostos, vêm reunindo suas forças contra McCain, acusando-o de ser um liberal disfarçado de republicano.

Os ataques constantes geraram um certo impacto. Apesar de o senador ter obtido parte do apoio conservador em algumas prévias, Romney e Huckabee saíram-se melhor com a base do partido. McCain terá uma chance de aumentar sua penetração entre os direitistas na quinta-feira, quando discursa no Comitê Conservador de Ação Política, um grupo que ficou indignado um ano atrás quando o hoje pré-candidato recusou-se a falar durante seu encontro anual.

Mas, reconhecendo que seu maior apelo está entre os eleitores independentes e moderados, o pré-candidato não pretende desculpar-se pela postura que adotou no Congresso a respeito de algumas questões e que enfureceu os direitistas. E deixou claro que nunca conseguirá satisfazer a todos.

McCain, na condição de ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, conta com um currículo invejável, mas, para a decepção dos conservadores, não detalhou seus planos com vistas a reavivar a economia norte-americana, atualmente em baixa. Ele afirmou a repórteres a bordo de seu avião, na quarta-feira, que reunirá seus assessores da área de economia em breve a fim de discutir esses planos, descritos pelo pré-candidato como “uma questão importantíssima”.