Matt Damon foge do passado em Supremacia Bourne

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Publicado sábado, 25 de setembro de 2004 as 08:55, por: cdb

Nas mãos habilidosas de Doug Liman, “A Identidade Bourne”, de 2002, conseguiu desvencilhar-se dos grilhões pesados do thriller de espionagem convencional, graças a uma energia que impeliu o gênero para o próximo milênio, de maneira instigante.

No caso de “A Supremacia Bourne”, baseado no segundo romance da série de Robert Ludlum, o diretor de “Swingers — Curtindo a Noite” e “Vamos Nessa” está presente apenas como um dos produtores executivos, tendo entregue as rédeas ao cineasta britânico Paul Greengrass. O filme estréia na sexta-feira.

Este não deixa de ser uma escolha intrigante. Em seu filme anterior, o contundente “Domingo Sangrento”, Greengrass imprimiu uma energia forte, de documentário à narrativa da marcha pelos direitos civis ocorrida em 1972 na Irlanda do Norte, com final trágico.

Suas câmeras móveis, carregadas nas mãos dos cinegrafistas, criavam o efeito desejado de mergulhar o espectador diretamente no meio do caos.

O diretor incorpora essencialmente a mesma técnica a este segundo capítulo das proezas de Jason Bourne, que sofre de amnésia. Desta vez, porém, a abordagem irrequieta exerce um efeito oposto e indesejado: desvia a atenção do espectador, afastando-o do protagonista da história.

Embora “Supremacia Bourne” não deixe de ter momentos muito bem coreografados, esse sentimento de distanciamento do público muito possivelmente impeça o filme de aproximar-se da bilheteria do primeiro “Bourne” (mais de 120 milhões de dólares).

Quando voltamos a encontrar Bourne (Matt Damon), ele e sua namorada, Marie (Franka Potente) estão tendo dificuldade em fugir do passado desconhecido que o assombra e parece voltar à tona com cada telefonema suspeito e olhar de soslaio de desconhecidos em cada nova cidade em que o casal tenta se fixar.

Mas a paranóia mostra ser justificada depois de Bourne sofrer uma tentativa de assassinato por parte de um pistoleiro de aluguel. Sem falar no fato de que duas mortes recentes são “maquiadas” de modo a parecer que foram obra dele.

Decidido a encontrar os responsáveis por tudo isso, Bourne inicia um complexo jogo de gato e rato com a igualmente decidida Pamela Landy (Joan Allen), uma agente da CIA que gosta de dirigir as situações à sua própria maneira.

A dinâmica pede uma tensão crescente, mas isso não chega a se concretizar.

Em lugar disso, Greengrass, trabalhando a partir de um roteiro de Tony Gilroy (que adaptou o primeiro “Bourne”), utiliza tomadas altamente cafeinadas e cortes rápidos para criar um clima de urgência. Mesmo assim, o filme permanece frio e distante, como muitos dos locais europeus do pós-Guerra Fria nos quais foi rodado.

Os atores, porém, dão conta do recado sem problemas. Matt Damon, Joan Allen, Brian Cox (no papel do colega antagônico de Allen) e Julia Stiles (uma agente obrigada a atuar como intermediária entre Bourne e a CIA) têm performances inteligentes e fortes.