Material utilizado na bomba era TNT

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Publicado quinta-feira, 18 de outubro de 2001 as 12:43, por: cdb

O espectrômetro emprestado pelo Consulado dos EUA à Polícia Civil do Rio de Janeiro – que não dispõem do equipamento, próprio para a análise do explosivo contido na bomba que detonou na madrugada desta quarta-feira uma loja do McDonald’s, no Centro do Rio – constatou que o material utilizado foi o TNT (Trinitrotolueno). A análise com o equipamento, de acordo com informações do Chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, “não deixa dúvidas quanto a este fato”.

O segundo o Chefe, a bomba era de fabricação caseira, acionada por cronômetro. Uma testemunha está fazendo um retrato falado de um suspeito.

Depois da análise no local, técnicos do consulado levaram estilhaços para testes em laboratório dos EUA. A polícia do Rio de Janeiro, no entanto, não acredita em atentado.

– Quem colocou esta bomba tinha a intenção de causar pânico e não de ferir alguém. É um agitador de fundo de quintal e, mais cedo ou mais tarde, a polícia acaba botando a mão nele – diz o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Josias Quintal.

Embora a colaboração de funcionários do consulado na investigação seja negada pelo Consulado dos Estados Unidos, no Rio, dois agentes de segurança norte-americanos estiveram na loja e informaram aos funcionários da lanchonete que tinham “ordem de acompanhar qualquer incidente que possa estar relacionado aos ataques terroristas sofridos pelos EUA”. A rede McDonald’s é uma multinacional americana.

Segundos os peritos do Instituto Carlos Éboli, não há como definir se a bomba tem origem militar ou artesanal. Há vestígios de estilhaços com inscrições que podem ser militares. Assessores da rede McDonald’s informaram que a filial da Rio Branco vai abrir assim que terminar a faxina do local. A loja já foi liberada pela perícia criminal

O artefato explodiu por volta de 3h30m, destruindo boa parte da lanchonete e atingindo também lojas vizinhas. Duas funcionárias estavam no segundo andar da lanchonete, mas não ficaram feridas.

Especialistas do Esquadrão Anti-Bombas afirmaram que a bomba era de grande poder explosivo. Segundo os peritos, se alguém estivesse passando pelo local no momento da explosão poderia ter morrido. Toda a área em torno da loja foi isolada, porque havia suspeita de que outra bomba poderia estar escondida na área. Mas nada foi encontrado.

As funcionárias Flávia de Souza Nunes e Márcia Cristina da Silva Garcia escaparam por pouco de se ferir. Elas contaram que estavam no segundo andar da lanchonete fazendo a contabilidade das vendas, quando ouviram um barulho. As duas desceram para ver o que era, não encontraram nada e voltaram ao andar de cima para terminar o trabalho. Em seguida, houve a explosão que destruiu a loja.

Técnicos do Instituto Carlos Éboli realizaram uma perícia da loja do McDonald’s. Segundo o perito Egberto Martins Cabral, do Esquadrão Anti-Bombas, foram encontrados no interior da lanchonte pedaços de metal, prego e papelão, além de restos de uma mochila queimada. A explosão atingiu um raio de 50 metros da loja, quebrando vidraças de prédios vizinhos.