Massacre foi resposabilidade de forças leais ao governo

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Publicado sábado, 15 de março de 2003 as 14:19, por: cdb

O massacre que matou várias pessoas no final do mês passado na localidade marfinenese de Bangolo, perto da fronteira com a Libéria, foi perpetrado por militares leais ao Governo, segundo as conclusões de uma investigação efetuada pelo destacamento militar francês.

De acordo com os meios de comunicação locais, o relatório foi entregue ao comitê de acompanhamento dos acordos de paz para a Costa do Marfim, que foram negociados e ratificados no final de janeiro passado na França.

O Exército francês afirma ter interceptado e desarmado 112 combatentes da etnia “guerés”, grupo dominante nos dois lados da fronteira entre a Costa do Marfim e a Libéria, que disseram atuar em benefício das Forças Armadas leais ao Governo marfinense.

O relatório afirma que os militares reconheceram diante dos soldados franceses que os interceptaram que tinham acabado de lançar um ataque na localidade de Bangolo e estavam se dirigindo para sua base na região de Guiglo, posição controlada pelas forças governamentais.

As conclusões dos militares franceses confirmam as acusações do rebelde Movimento Popular Ivoriano do Grande Ocidente (MPIGO), que acusa o Governo de estar por trás do massacre.

Os funcionários governamentais negaram categoricamente qualquer vínculo com os militares “guerés” responsáveis pelo massacre.

O MPIGO calcula que o número de vítimas seja 200, e garante que eram principalmente crianças e mulheres.

Os investigadores militares franceses admitem que o número de vítimas poderia ser muito superior às 60 calculadas e mencionadas no relatório, depois de visitar todos os bairros da localidade.

O relatório sugere a esse respeito que seja feita uma investigação internacional para esclarecer o que considera o caso mais grave de atrocidades registrado ao longo do conflito armado no país, que começou em setembro do ano passado.

O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, pediu uma investigação sobre todas as atrocidades cometidas desde o começo do conflito e expressou seu desejo de que os culpados sejam julgados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Por outro lado, a organização pró-direitos humanos Anistia Internacional (AI) acusou os grupos rebeldes pelo massacre em setembro de 60 membros das forças leais e trinta crianças em Bouaké, que foram sepultados em uma fossa comum.

O principal grupo rebelde, o Movimento Patriótico da Costa do Marfim (MPCI), que controla a metade norte do país e tem sua sede em Bouaké, rejeitou essas acusações, as que qualificou de “diversão política para enganar a opinião internacional”.

Os responsáveis pelo MPCI ressaltaram que a vala comum mencionada pelo AI contém somente os cadáveres de membros das forças leais mortos nos combates que acorreram no dia 19 de setembro, no início da rebelião, para conseguir o controle de um quartel da legião da gendarmaria de Bouaké.