Martus descarta novos aumentos no valor do mínimo

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Publicado quinta-feira, 27 de dezembro de 2001 as 02:08, por: cdb

O ministro do Planejamento, Martus Tavares, descartou a possibilidade de serem reabertas negociações para novos aumentos no valor do salário mínimo, como deseja a oposição. “Não se trata de não querer negociar, mas é que já temos algumas dificuldades nesse orçamento, que somam R$ 4,6 bilhões, e que precisamos resolver”, declarou o ministro, que se referia aos recursos que precisam ser encontrados para cobrir o reajuste da tabela do imposto de renda (R$1,8 bilhão), contribuição dos inativos (R$1,4 bilhão), que não foi aprovada, e o aumento do mínimo de R$ 189 para R$ 200 (R$ 1,4 bilhão).

“Tá na hora da gente concluir as votações e aprovar o orçamento e não de reabrir as negociações”, afirmou Martus Tavares. “Por isso, fazemos apelo à base (governista) para que vote na comissão e em seguida no plenário, de preferência esta semana e, se não for possível agora, que seja na semana que vem”, pediu o ministro.

Martus Tavares salientou ainda que a aprovação do orçamento de 2002 ainda este ano é “um sinal importante para os investidores é um sinal de responsabilidade com as metas”. Para o ministro, este fato ajudará a diferenciar o Brasil da Argentina, que enfrenta uma série crise.

Caso o orçamento não seja aprovado, observou o ministro, só se pode liberar recursos para as ações continuadas, ou seja, pessoal, previdência, pagamento de dívidas e transferências continuadas. “A compra de livros didáticos, por exemplo, seria uma das ações prejudicadas se não houver aprovação do orçamento”, salientou o ministro, acrescentando que seria um prejuízo muito grande para o País.

“Estou de plantão, mobilizando a base para a votação do orçamento”, comentou o ministro, que está pessoalmente telefonando para os líderes, além dos próprios deputados e senadores. “Queremos que tudo se resolva logo.”

Além da votação do orçamento de 2002, considerada prioritária pelo governo, o ministro Martus Tavares apelou aos parlamentares que aprovem também os 60 projetos que alteram o orçamento de 2001, que estão pendentes no Congresso. Metade deles já foi aprovada na comissão mista do orçamento, mas depende ainda do plenário. Se esses recursos não forem votados até semana que vem ficarão perdidos, ou seja, não poderão ser usados para mais nada, já que são verbas carimbadas. “É uma economia que não queremos fazer”, comentou o ministro, ao explicar que são verbas que possuem destinação pré-estabelecida.