Marina Silva se manifesta contra uso de energia nuclear

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Publicado quinta-feira, 10 de maio de 2007 as 20:14, por: cdb

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira a posição contrária do ministério em relação à utilização de energia nuclear no país. Para a ministra, o Brasil deve continuar perseguindo formas alternativas de energia que o mantenham em posição ambiental favorável.

– Nós temos 45% da matriz energética limpa -, disse.

– É uma vantagem diferencial que nenhum país tem, nós devemos continuar perseguindo essa matriz energética limpa e sem riscos, porque no caso da energia nuclear tem um problema grave em relação à deposição dos resíduos -, completou. 

Ela falou à imprensa após o anúncio da desarticulação de quadrilha que desviava dinheiro da cobrança de ingressos para o Parque Nacional da Tijuca, em operação da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama).
Marina Silva destacou a capacidade de diversificação energética do país e citou os potenciais da hidroeletricidade e da biomassa.

– Só o primeiro distrito florestal que estamos implementando tem capacidade de 400 megawatts de energia, e vamos implementar mais seis desses pólos, então nós temos um potencial enorme -, disse.

Os distritos florestais sustentáveis são áreas delimitadas com prioridade para atividades que tenham sustentabilidade dos pontos de vista social e ambiental.

O incremento da utilização da energia nuclear no país, com a retomada da usina de Angra 3, foi proposto pelo presidente Lula como alternativa caso o Ibama não libere a construção das usinas hidrelétricas do Rio Madeira.

O assunto estará em pauta na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética, segundo informou na quarat-feira o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau. Ele afirmou, no entanto, que a construção de Angra 3 “é algo de caráter mais estratégico do que meramente chegar e colocar uma usina nuclear para funcionar”.

De acordo com Marina Silva, a autorização ou não para as hidrelétricas do Rio Madeira é uma questão complexa que está tratada em nível institucional.

– Temos que tratar isso com naturalidade, e é da natureza do nosso trabalho enfrentar processos complexos. É da natureza do Ministério do Meio Ambiente fazer a mediação entre as tensões do desenvolvimento e da preservação -, afirmou.

Sobre uma definição de prazo para a decisão final, ela disse que sua pasta aguarda informações pedidas ao Ministério das Minas e Energia para avançar no processo.

– Vamos fazer a análise das informações, e nessa questão de prazos o que é o que a sociedade quer? Que a gente possa ser eficiente, dar a resposta no momento oportuno sem que isso signifique uma imposição de um setor em relação a outro. Nós estamos trabalhando com o sentido da necessidade estratégica do país em dois níveis: de proteger o meio ambiente e de produzir energia. Uma coisa não tem que ser em oposição à outra -, avaliou.

A ministra afirmou que nos últimos aumentou a capacidade de resposta às demandas de liberação ambiental.

– Em 2003 eram 45 hidrelétricas paradas por judicialização [questionamento na Justiça], hoje não temos mais nenhuma em processo judicial -, disse.

– Era uma média de 145 licenças dadas por ano, e nós chegamos ao final de 2006 com 272 licenças dadas por ano com apenas uma judicializada. Isso significa que aumentou a capacidade de resposta, sem se perder a eficiência e o sentido da nossa missão que é a de viabilizar a proteção do meio ambiente -, informou.