Marco Maia diz que PR está contemplado com projeto

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Publicado quarta-feira, 1 de junho de 2011 as 04:10, por: cdb

Manter intactas estruturas de partido foi bandeira da campanha de Maia, diz líder do PSDB

Eduardo Militão

O líder do PR, Lincoln Portela (MG), mede as palavras. Primeiro, diz que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez um “acordo” com o partido para garantir à legenda mais seis CNEs na Liderança. Depois, opta por um termo mais leve, “pedido”. “É… mas foi um pedido. Difícil é lembrá-lo de que ele teria concordado”, afirma Portela.

Por três vezes, o PR lembrou Maia do pedido. Procurado pelo Congresso em Foco, o presidente da Câmara disse que não se comprometeu a aumentar os cargos para o PR. “O PR está contemplado. Não perde nem ganha”, afirma. Maia reforça que praticamente todos os partidos estão sendo contemplados pela resolução. Diz que o problema está no PSOL e no PMN apenas.

O líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), lembra que antes de virar presidente da Câmara, Marco Maia se comprometeu a manter as estruturas das atuais bancadas, sem criação de despesas. “Agora, a hora que isso fosse apresentado, certamente iria ter chiadeira de ‘A’ ou de ‘B’”, afirma. “Agora é a hora, né?”

O líder do PT, Paulo Teixeira (SP), é outro que acredita que Maia está buscando cumprir um compromisso da campanha para a presidência da Câmara. “Ele deve estar se preocupando com todos.”

Portela diz que o suposto acordo com Maia foi feito no início do ano, antes da eleição para presidente da Câmara. Mas ele nega que o aumento de cargos para o PR tenha sido uma das condições para o partido apoiar o petista para dirigir a Casa. “Foi por uma posição de governo. O partido é governo e Marco Maia era o candidato do governo”, afirma Portela. Contrariando a posição do PR, Sandro Mabel (GO) saiu candidato à Presidência da Câmara.

Partilha

O líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), que tenta emplacar uma emenda para garantir 13 CNEs à legenda, reclama que alguns partidos têm cargos demais. “Para nós, está muito injusto. Não estamos brigando por cargos, mas por qualidade da assessoria de liderança. Uns têm muito, outros, pouquíssimo.”

Alencar diz que o motivo de alguns partidos terem muitos cargos é o fato de os CNEs serem partilhados entre os deputados, em vez de servirem apenas às lideranças. “Aí, é aquela briga danada. Nesses casos, o céu é o limite.”

Cargos extras

Em novembro de 2008, o Congresso em Foco revelou que o PTB tinha 14 cargos a mais do que determinava a resolução 1/07, que ainda está em vigor. Como resposta, a Câmara, então dirigida por Arlindo Chinaglia (PT-SP), modificou apenas a situação do partido e prometeu ajustar tudo na gestão de Michel Temer (PMDB-SP).

Pela resolução, o PTB deveria ter hoje apenas 37 CNEs. Mas tem 54. Se a proposta em análise agora na Câmara for aprovada, a legenda de Roberto Jéfferson, com 22 deputados, ficará com 52 cargos de natureza especial.

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