Marcha indígena por terra e justiça em Dourados

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Publicado quinta-feira, 25 de agosto de 2011 as 11:39, por: cdb

Madrugada.O fogo na entrada dos acampamentos começa a receber mais gente. É hora de seaquecer um pouco e partir para os rituais de benção e batizado dos documentosda Aty Guasu. Eles serão levados a Dourados, para a marcha e posterior entregaàs autoridades. A principal avenida da cidade será tomada pela “gente cor daterra”, os primeiros habitantes da região estarão fazendo ecoar seus gritos de”queremos nossas terras”, “exigimos justiça”, “exigimos respeito e dignidade”. http://www.youtube.com/watch?v=csyNRH0aFx4

Masde 500 Kaiowá Guarani e Terena, percorreram mais de três quilômetros da regiãocentral da cidade na Av. Marcelino Pires. Cantando e manifestando suaindignação e esperança, vão andando alegremente pela avenida. Chamam atenção docomercio e transeuntes pelas vestimentas rituais, cocares, colares,pinturas…faixas e cartazes. Distribuem o folheto “Em Defesa dos PovosIndígenas de Mato Grosso do Sul”. Ali constam os índices alarmantes daviolência em que se debatem as comunidades Kaiowá Guarani, confinadas ouacampadas à beira das estradas da região. “Não podemos aceitar calados epassivos tanta violência e impunidade. A sociedade precisa reagir a tantainfâmia e injustiça contra nossos irmãos indígenas, tratados pelo governo doestado de forma parcial e injusta”. E as chamadas nos dão a dimensão dagravidade da situação “Violência e Barbárie estão às soltas em MS”, ” A difusãodo preconceito é uma das armas do latifúndio”. Ao receberem o folheto, asreações dos cidadãos eram bem diversas. Alguns demonstravam seu tímido apoio àmanifestação e outros expressavam sua contrariedade, movidos pelo preconceitosecular e ideologia racista. A marcha prosseguiu por quase duas horas, atéchegar ao prédio da Funai. Entraram na sede do órgão e dentro dele fizeram umrápido ritual para trazer os bons espíritos ao local e afastar tudo que possaprejudicar os direitos indígenas. Na parte inferior do prédio estava um grandepôster em que o então presidente Lula e vários ministros fizeram a entrega dopremio de Direitos Humanos dados aos povos indígenas do Mato Grosso do Sul,através do Conselho da Aty Guasu. A estatueta foi levada ao centro damanifestação, para chamar atenção a esse importante reconhecimento da lutaKaiowá Guarani por seus direitos.

Mais violência sem providência

LideLopes, de Pyolito Kue, ligou falando de mais um covarde ataque dos pistoleiros,causando uma absurda situação de violência, destruição e pessoas feridas. Porse tratar já da terceira ação violenta que sofreram em menos de duas semanas,entendem ser essa uma obstinada decisão dos senhores do agronegócio, de impediro reconhecimento das terras tradicionais Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul.

É umaabsurda declaração de guerra, onde de um lado estão homens armados e decididosa atirar, expulsar, destruir enquanto do outro lado está uma centena de homens,mulheres e crianças armados apenas de seu direito de retornar a um pedaço daterra da qual foram expulsos há poucas décadas. Os Kaiowá Guarani estão sendoalvo de uma ignominiosa ação violenta, enquanto o Estado brasileiro se mostrainoperante diante de tais fatos. Será que serão necessários novos massacrespara que se tome providências?

Certamentenão é por desconhecimento da gravidade da situação que a polícia federal nãoestá se fazendo presente no local. E quando se fez presente (PF-Naviraí) foiacompanhada dos algozes dos índios, para dizer, como noticiou a imprensa, deque não existem índios no local.

Atéquando grassará a violência e a impunidade contra os povos indígenas KaiowáGuarani no Mato Grosso dos Sul.

PovoGuarani Grande Povo
Dourados,24 de agosto de 2011