Maquete, feita por crianças, mostra uma cidade ideal

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Publicado quarta-feira, 10 de setembro de 2003 as 21:33, por: cdb

Para Ludimila Bernardo da Silva, de 9 anos, da ONG Projeto Arrastão, uma cidade ideal é a que não tem violência nem poluição. Ao seu lado, Angélica dos Santos, de 14 anos, diz que uma montanha de neve no centro da cidade seria o ponto de encontro de amigos, todos habitantes dessa cidade utópica.

As duas participam do ateliê que a representação espanhola na 5.ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design montou no prédio da Fundação Bienal. Lá, 56 crianças de três entidades brasileiras criam uma grande maquete de uma cidade, projeto a ser exposto no evento que se inaugura no domingo.

Desde o dia 1.º e até sexta-feira, as crianças das ONGs Gol de Letra, Centro Cultural Vila Prudente e Projeto Arrastão chegam de ônibus fretados ao Parque do Ibirapuera e, sempre das 14 às 17 horas, integram a oficina.

Trabalham divididas em sete grupos, cada um deles orientado por um arquiteto espanhol.
O projeto, educacional, tem como objetivo incitar a “participação da criança no desenho tanto da cidade quanto do governo”, diz Cesar Muñoz Jimenez, diretor pedagógico do Casa 10, como foi intitulado o projeto.

“É um exercício de cumplicidade entre arquitetos e meninos, prática de convivência”, declara Teresa Sandoval, responsável pela implantação da iniciativa nesta Bienal. O governo da Espanha investiu 200 mil euros no projeto, que também tem ligação com o Instituto Tomie Ohtake, que representa o Brasil na parte educativa, e a Fundação Abrinq, responsável pela participação das entidades de comunidades carentes.

Ana Maria Wilheim, superintendente da Abrinq, diz que essas três ONGs foram escolhidas porque “são entidades que trabalham com arte-educação e que têm crianças e jovens”. Ao mesmo tempo, alunos do Colégio Cervantes participam voluntariamente do projeto, ajudando na tradução entre o espanhol e o português.

O projeto que foi originalmente idealizado para ser implantado em Barcelona. Para o Brasil, o Casa 10 foi adaptado.

No grupo do arquiteto Javier Peña, por exemplo, cada uma das crianças se pensou como personagem e na maquete, feita com objetos de madeira e coordenada pelo arquiteto Emile Padros, o grande ponto é definir as localidades do que foi enumerado pelas crianças. Como organizar os prédios e lugares na cidade? A escola ao lado da praia, a prefeitura vizinha do centro cultural, o cemitério bem longe de tudo.

O curador da representação espanhola, Enric-Ruiz Gelli, foi quem escolheu os sete arquitetos para o ateliê. É ele também o responsável pelo projeto que a Espanha vai mostrar no Pavilhão da Bienal de Arquitetura, intitulado 28 Sementes.