Manutenção dos juros não supreende o ministro do Planejamento

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 18 de março de 2010 as 12:15, por: cdb

Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta quinta-feira que não recebeu com surpresa a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano. Para ele, a decisão, tomada na tarde desta quarta-feira, pelo BC, é “absolutamente normal” e só deve ter surpreendido analistas que queriam uma elevação dos juros. A Selic remunera títulos públicos do governo e o BC usa essa taxa para controlar a inflação.

– Ficou claro que o Banco Central não se deixa pressionar e faz seu trabalho olhando os dados que tem – disse Paulo Bernardo a um programa de TV.

Ele argumentou ainda que em janeiro e fevereiro houve pressão inflacionária, principalmente por conta dos alimentos, mas neste mês e em abril o índice deve ser menor.

Manutenção aprovada

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) aprovou a manutenção da taxa básica de juros (Selic), conforme decisão do Copom.

– Manter a taxa básica de juros (Selic) em 8,75%, é uma demonstração de respeito à produção, ao crescimento, ao emprego e, acima de tudo, ao Brasil – ressaltou a entidade por meio de nota.

Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a decisão atende aos anseios do setor industrial paulista.

– O governo foi sensível ao nosso apelo, baseado em concreta argumentação técnica, e renovou as condições de crescimento, com a natural geração de novos empregos. Ganham todos, em especial o Brasil – ressaltou.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) acredita que a manutenção da Selic foi “adequada ao momento”. A entidade ressaltou, por meio de nota, que a pressão para o aumento de preços no início do ano está relacionada com fatores relativos à sazonalidade. Por isso, na análise da Fecomercio, aumentar os juros não traria efeito sobre a inflação.

– A pressão sobre os preços no início do ano foi causada por fatores sazonais, como o excesso de chuvas, o aumento do preço de material escolar, a entressafra da cana-de-açúcar e a elevação da tarifa de ônibus em alguns Estados – disse. Para a instituição, o aumento dos juros, nesse contexto, não teria efeito.

Perversidade

Para a Força Sindical, no entanto, trata-se de uma “perversividade” a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros em 8,75%.

“A decisão de manter a taxa Selic é uma perversidade para com os trabalhadores. O termômetro dos tecnocratas do Banco Central tem se mostrado extremamente frio com o setor produtivo, que gera emprego e renda, mas apresenta uma temperatura muito agradável para os especuladores”, afirmou a central sindical por meio de nota.

Para a central sindical, continuar com a atual taxa de juros impõe “um forte obstáculo ao desenvolvimento do país”.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes também criticou a decisão e afirmou que a medida pode restringir o crédito.

“O momento é de investir para gerar emprego e renda. A manutenção dos juros só serve para restringir o crédito, permitir que os bancos continuem alimentando-se de taxas abusivas, e acenar que a produção deve seguir em ritmo lento diante das incertezas geradas por uma política econômica distante da realidade e das necessidades do país”.