Mantega diz que previsão negativa para meta fiscal é ‘conversa fiada’

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Publicado segunda-feira, 21 de setembro de 2009 as 13:09, por: cdb

Ministro da Fazenda, Guido Mantega disse nesta segunda-feira que as previsões de que o país não cumprirá suas metas fiscais são “conversa fiada”.

– Mesmo com a piora (fiscal) este ano, a tendência é benigna – garantiu acrescentando que a tendência é de déficit nominal zero. Em palestra em um evento em São Paulo, o ministro também reafirmou sua estimativa de crescimento de 1% para a economia brasileira este ano.

Diante da possibilidade de um aumento nos preços do aço no Brasil, Mantega também afirmou que o governo pode reduzir as tarifas de importação do produto.

– O objetivo é fomentar a concorrência e impedir que o aço suba – disse Mantega a jornalistas após palestra em São Paulo.

Perguntado se a alíquota pode chegar a ser zerada, o ministro respondeu afirmativamente. Mantega afirmou ainda que o cumprimento das metas fiscais de 2010 podem exigir algum sacrifício.

– Novos gastos de ministérios deverão ser contidos em 2010 – disse.

Para este ano, o ministro afirmou que o governo abaterá do cálculo da meta de superávit primário cerca de 0,45% do Produto Interno Bruto correspondente a gastos em obras consideradas prioritárias listadas no Projeto Piloto de Investimentos.

PIB zero

O mercado financeiro voltou a melhorar suas estimativas para o desempenho da economia brasileira em 2009 e 2010, segundo relatório Focus divulgado nesta segunda-feira. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 agora é de estabilidade ante contração de 0,15% na semana passada. O prognóstico para 2010 passou de crescimento de 4% para expansão de 4,20%.

Para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, o cenário elevou-se ligeiramente para 4,31%, ante taxa de 4,30% na semana anterior. O prognóstico para a inflação no ano que vem, por sua vez, caiu para 4,30%, ante 4,35% na semana anterior. Os dois números do IPCA estão abaixo do centro da meta do governo, de 4,50%.

A estimativa para a taxa Selic no fim deste ano permaneceu em 8,75%. Para o fim 2010, persistiu em 9,25%. Para a taxa de câmbio no fim de 2009 a previsão mudou de R$ 1,81 para R$ 1,80. Para o fim de 2010, a estimativa também é de uma taxa em R$ 1,80, abaixo do R$ 1,85 da semana anterior.

Os analistas também alteraram a projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB passou de 42,75% para 43,10% neste ano e permaneceu em 41% em 2010.

A previsão para o superavit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) foi mantida em US$ 25 bilhões neste ano e em US$ 18 bilhões em 2010.

Para o deficit em transações correntes (registro das compras e vendas de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), os analistas também não fizeram ajustes e mantiveram a estimativa de US$ 15 bilhões para este ano e de US$ 22,8 bilhões para 2010. A estimativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) também foi mantida em US$ 25 bilhões neste ano e em US$ 30 bilhões, em 2010.